
Afinal, o que fez o diretor-geral da Polícia Federal para ter sido afastado do cargo pelo ministro André Mendonça? Da leitura das 33 páginas da decisão de Mendonça conclui-se que o delito de Andrei Rodrigues foi ter repassado ao ministro Alexandre de Moraes um relatório de inteligência que aponta suposto abuso de autoridade do relator do inquérito do Banco Master.
Mendonça se insurge contra a divulgação de um texto apócrifo, sem timbre da Polícia Federal e, portanto, sem qualquer valor legal, mas que questiona sua atuação. Esse relatório não deveria jamais ter sido usado para embasar o pedido de Moraes para que Mendonça fosse investigado.
Sem poder determinar o afastamento do colega, o relator usou a caneta para tirar do cargo o diretor-geral da Polícia Federal, colocando-o sob suspeita. Usou para tanto uma ação do Partido Novo, que pede não só o afastamento de Andrei Rodrigues, como sua prisão, um exagero típico desse período de arroubos da campanha eleitoral. Se Mendonça sabe mais do que escreveu, ainda não disse.
O diretor-geral da Polícia Federal ora afastado foi citado em mensagens de Daniel Vorcaro para Moraes, em um contexto de que poderia salvá-lo da prisão ou da liquidação do Master. Só que o Master foi liquidado pelo Banco Central — ponto para seu presidente, Gabriel Galípolo — e Vorcaro preso pela Polícia Federal quando se preparava para fugir, de jatinho, para Dubai.
Pesa contra Andrei Rodrigues o fato de ter participado de uma degustação de uísque promovida por Vorcaro em Londres, em abril de 2024, durante o 1º Fórum Jurídico Brasil de Ideias, financiado pelo Master, do qual o diretor da PF participou como convidado. Rodrigues diz que esse foi o único encontro entre os dois.
No depoimento prestado ao gabinete de André Mendonça, em agosto deste ano, Vorcaro disse que tinha "relação cordial" com o chefe da PF, que essa relação envolvia viagens e esse seria o motivo pelo qual a instituição se recusava a aceitar sua proposta de delação premiada. Dada a vida pregressa de Vorcaro e suas tentativas de fechar acordo seletivo de delação, seria o cúmulo um ministro do Supremo aceitar como verdade as palavras de um delinquente.
Mendonça não cita esse depoimento, mas diz no despacho que a permanência de Andrei Rodrigues à frente da PF colocaria em risco essa investigação, mas também a das fraudes no INSS, da qual é igualmente relator.





