
A primeira manifestação do presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, sobre a crise que envolve o ministro Alexandre de Moraes é prudente como costumam ser suas intervenções, mas repleta de significados. Sem elevar o tom, o ministro prometeu resposta à indignação da sociedade com a revelação das relações promíscuas de Moraes com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Fachin sabe que não há como varrer para baixo do tapete o monturo das suspeitas de iniquidade.
Diante da reação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que pediu a anulação do relatório da Polícia Federal encomendado pelo ministro André Mendonça, cabe a Fachin tomar as rédeas do processo. Investigar é preciso, dentro da lei e no prazo adequado. O tempo da Justiça, em geral, é diferente do tempo da sociedade. Depois que as mensagens de Vorcaro para Moraes se tornaram públicas, não há como esperar dois ou três anos para abrir a investigação.
Não há margem para o corporativismo que protege os seus. O que está em jogo é muito mais do que o futuro de Moraes, hoje um ministro que caminha para ganhar o prefixo “ex”, seja pela renúncia, seja por um processo de impeachment que a essas alturas parece inevitável.
Confira a nota do presidente do STF:
"Em momentos de especial gravidade, é dever de todos preservar a integridade do Supremo Tribunal Federal, a autoridade de suas decisões, o respeito às suas normas e, acima de tudo, a confiança da sociedade na instituição.
Os indícios reclamam o devido encaminhamento institucional. Circunstâncias relacionadas, de um lado, à atuação processual e, de outro, a sérios elementos de fatos que exigem desta Presidência serenidade, responsabilidade e firmeza.
A elevada autoridade do cargo não confere privilégios, mas impõe deveres, limites e responsabilidades, que devem ser observados com absoluto respeito à Constituição, às leis e ao Supremo Tribunal Federal.
Nos próximos dias, concluída a análise necessária dos fatos e observados os procedimentos institucionais pertinentes, esta Presidência anunciará, no tempo devido e sem precipitação, as medidas cabíveis e necessárias."




