
Não dá nem para dizer que um dia é da caça e o outro do caçador quando se trata do escândalo do Banco Master. O senador Flávio Bolsonaro (PL) não conseguiu nem comemorar as revelações que comprometem o ministro Alexandre de Moraes, porque simultaneamente mais uma bomba caiu sobre sua campanha. Desta vez, foi a revista Piauí quem mostrou que Flávio recebeu de Daniel Vorcaro mais dinheiro do que admitira ter recebido para financiar o filme Dark Horse, sobre a vida do pai.
E não foi pouco dinheiro, mesmo para quem está acostumado aos padrões amazônicos das mutretas em Brasília. Relatório do Coaf mostra que Vorcaro repassou mais US$ 1,6 milhão para o filme em setembro de 2025 e, um mês depois, disse ao publicitário Thiago Miranda ter depositado outra parcela do mesmo valor.
Por alto, são cerca de R$ 8 milhões além dos mais de R$ 60 milhões que o senador admitiu que o banqueiro repassou. O combinado era Vorcaro investir R$ 134 milhões no filme, mas o banqueiro foi preso antes de liquidar o compromisso.
Mesmo que ainda não tenham sido encontrados os extratos dessa segunda parcela extra, a Polícia Federal está procurando. Não é tarefa simples, porque Vorcaro tinha tantas empresas — muitas delas em nome de laranjas — que o pente-fino do Coaf e da Polícia Federal precisa usar lupa na apuração das fraudes.
Flávio insiste em se defender dizendo que se trata de um negócio privado e enche o peito para dizer que não usou dinheiro da Lei Rouanet. Ou seja: despreza um instrumento legal de financiamento da cultura, que exige prestação de contas rigorosa, em favor da trampa com um banqueiro falido, que lesou o Fundo Garantidor de Crédito, o Banco Regional de Brasília e as pessoas físicas e jurídicas que colocaram dinheiro na sua arapuca.
Flávio ainda não prestou contas da aplicação do dinheiro e a PF investiga se parte dele foi usada para financiar a vida de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

