
Quando tarde da noite de quinta-feira (10) o ministro André Mendonça atendeu à solicitação do presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, e levantou o sigilo da investigação do Banco Master, imaginava-se que tudo seria trazido à luz do dia. Mas (e sempre tem um "mas") havia uma brecha para Mendonça fazer o levantamento seletivo do segredo: a exceção para o que pudesse prejudicar a investigação.
Enquanto os jornalistas se debruçavam na leitura de páginas e páginas de relatórios e anexos, soube-se que Mendonça aplicara a seletividade por critérios que só ele e sua equipe sabem quais foram. A gritaria não começou pela imprensa, mas por seus inimigos internos. O ministro Alexandre de Moraes e o procurador-geral da República estrilaram. Pediram a Fachin o levantamento amplo, geral e irrestrito do sigilo. E saíram em busca de aliados para engrossar o coro contra a manutenção do véu que encobre parte dos documentos.
Diante do levantamento feito por Moraes de documentos que permanecem protegidos, Fachin deu 24 horas a Mendonça para que torne públicos todos os documentos. Porque a essas alturas, a desculpa de “proteger a investigação” já não cola. Porque o vazamento seletivo serve a quem tem interesses próprios ou de terceiros a proteger e não ao cidadão que financia a máquina pública.
As próximas horas — e o fim de semana inteiro — serão de garimpagem do que existe no inquérito do maior escândalo de corrupção no sistema financeiro. Como disse Fernando Collor no seu inesquecível portunhol às vésperas do impeachment, que tudo seja apurado, “duela a quien duela”.



