Iniciada pouco depois das 10h, a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) que deve decidir se autoriza ou não a investigação do ministro Alexandre de Moraes virou uma lavanderia de roupa suja perto do meio-dia. Depois de os ministros Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli se declararem impedidos, outros ministros começaram a levantar preliminares com a clara intenção de melar a sessão.
O primeiro foi Flávio Dino, que chegou a ser grosseiro com o presidente do Supremo, Edson Fachin, e questionou a decisão do ministro de tirar André Mendonça da relatoria do caso. Mas foi Gilmar Mendes quem escancarou a estratégia de adiar a votação. Gilmar criticou o ministro André Mendonça por ter afastado o diretor-geral da Polícia Federal. Disse que quem pensa em afastar o diretor-geral da Polícia Federal (PF) deveria "se algemar" para não assinar.
O decano prosseguiu nas suas críticas a Mendonça e aos ministros da Primeira Turma que, em poucos minutos, referendaram o afastamento de Andrei Rodrigues do comando da PF. E acusou Mendonça de ter agido por interesse eleitoral, tomando decisão para inflar as manifestações de Sete de Setembro, numa referência ao suposto favorecimento de Flávio Bolsonaro.
— Não aponte o dedo pra mim. Eu não sou qualquer um. Me respeite —reclamou Mendonça.
— Quem não se dá o respeito não merece respeito — rebateu Gilmar, que tomou conta da sessão.
O ministro pediu aos colegas que “separem o Supremo das eleições”. Disse que Mendonça e seus aliados na Corte são aprendizes de feiticeiros:
— É de uma desfaçatez de corar frade de pedra. E em nome de Deus! Em nome de Deus já se fez muita patifaria — exaltou-se Gilmar, antes de pedir uma sindicância para investigar as ações de Mendonça.
O decano não parou aí. Disse que até a máfia tem ética, o que não seria o caso do relator do Caso Master.
Em um aparte, o ministro Alexandre de Moraes disse que tem testemunhas de que Mendonça acionou a Polícia Federal para prejudicá-lo. O relator tentou responder, mas acabou decidindo falar quando chegar a sua vez.
A sessão foi interrompida para a TV Justiça transmitir o horário eleitoral obrigatório e será retomada às 15h.














