
O início da construção do dique que vai proteger Eldorado do Sul das cheias do Rio Jacuí está mais próximo de acontecer. Nesta sexta-feira (11), o presidente Lula confirmou a destinação de recursos do Firece (Fundo de Apoio à Infraestrutura para Recuperação e Adaptação a Eventos Climáticos Extremos) que, com mais um acréscimo do Funrigs, vai permitir a publicação do edital para contratação do projeto executivo e da obra.
Serão R$ 700 milhões do governo federal, somados a cerca de R$ 300 milhões do Estado, via Fundo da Reconstrução. Frente a uma resistência da União de bancar todo o projeto, o governador Eduardo Leite sinalizou com o custeio de parte do orçamento da obra, o que destravou o empreendimento. O acordo já havia sido firmado entre Leite e a ministra-chefe da Casa Civil, Miriam Belchior, há algumas semanas e foi formalizado na reunião desta sexta.
Com mais de R$ 6 bilhões disponíveis no Firece que ainda não foram acessados, Lula questionou Leite de quem foi a demora para usar o dinheiro que agora começa a ser liberado.
— O que eu quero saber é o seguinte. Temos a enchente, temos a calamidade e tudo mais. O dinheiro veio e era obrigação nossa enviar o dinheiro. Então eu quero saber se a demora foi de fazer os projetos, a demora foi da Caixa ou a demora foi nossa de decidir? Não tô procurando culpado. Eu quero saber porque a gente não pode mais liberar dinheiro se não tiver projeto (...) A minha inquietação é o seguinte, nós liberamos R$ 1,5 bi, quando vamos liberar o restante?
Leite respondeu:
— Presidente, estou lhe respondendo com a responsabilidade que o tema exige. São obras grandes, complexas, que estão sendo revisitadas por conta da necessidade de serem projetos bem estruturados na Região Metropolitana. Então, faço a comparação, e insisto na comparação, seja a transposição de São Francisco ou seja a BR-116, que foi uma obra iniciada aqui no Rio Grande do Sul, no final do seu mandato, com, naquele momento, a promessa de que seria concluída em 2014. Até hoje não foi concluída aquela obra por uma série de problemas, sejam orçamentários ou funcionais, enfim. As comparações são importantes para a gente poder atribuir corretamente o tamanho e a dimensão que cada obra tem.
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O uso de recursos do Funrigs foi aceito meio a contragosto por Leite, que pretendia empregar o valor em outras demandas do Estado, que são apresentadas por prefeitos. Mesmo assim, o governador concordou em aportar recursos para não atrasar ainda mais o andamento da obra, cujo edital já está pronto.
Leite usa como base para a insatisfação os investimentos na transposição do Rio São Francisco, que atravessaram governos até sua conclusão sem que houvesse cobrança aos Estados.
Agenda do presidente no RS
Depois de uma hora de atraso no voo que o trouxe de Brasília, Lula desembarcou na base aérea de Canoas às 15h28 e de pronto ingressou em uma sala reservada para uma reunião com Leite e prefeitos da Região Metropolitana. Participaram do encontro Sebastião Melo (Porto Alegre), Airton Souza (Canoas) e Juliana Carvalho (Eldorado do Sul).
Lula anunciou ainda a liberação de recursos para novas obras de proteção na Zona Norte, nos polderes 7 e 8, assim como R$ 75 milhões para casas de bombas em Canoas.




