
O jornalista Henrique Ternus colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
Apesar do caráter discreto, temendo cometer alguma irregularidade em meio ao período eleitoral — assim como Jair Bolsonaro em 2022 —, o presidente Lula (PT) escolheu a soberania como mote do desfile de 7 de Setembro em Brasília. O tema tem sido utilizado durante a campanha à reeleição e foi repetido em pronunciamento em rádio e televisão no domingo à noite, usado para dar o tom da celebração da Independência.
Em rede nacional, Lula enfatizou que o Brasil "não é uma colônia", se referindo ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos, associado à família Bolsonaro em peças de campanha. O petista também defendeu a exploração de terras raras no país e de petróleo na Foz do Amazonas, cobiças de Donald Trump que Lula aposta para alavancar a economia em um eventual quarto mandato.
No desfile, o presidente não fez pronunciamento. Desfilou ao lado de Janja no Rolls-Royce presidencial e assistiu à apresentação das tropas das Forças Armadas acompanhado da cúpula dos três poderes: o vice Geraldo Alckmin, ministros do governo federal, e os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, do Senado, Davi Alcolumbre, e do STF, Edson Fachin – os dois últimos ausentes no ano passado.

Enquanto Lula adotou postura mais comedida, Flávio Bolsonaro (PL) aproveitou o feriado para o segundo grande ato da sua campanha à Presidência e reuniu milhares de apoiadores na Avenida Paulista, em São Paulo, para pedir as saídas do petista e do ministro Alexandre de Moraes dos cargos.
O ato também ganhou tom de apoio ao ministro André Mendonça, relator do caso Banco Master que retirou o sigilo das mensagens enviadas por Daniel Vorcaro a Xandão. Flávio foi à Paulista com o governador de SP, Tarcísio Gomes de Freitas, do prefeito da capital, Ricardo Nunes, do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e de candidatos da direita.
— Alexandre de Moraes vai cair. Eu quero ser o libertador da Pátria e tenho tudo o que preciso. O povo quer mudança — bradou Flávio, antes de repetir o bordão do pai "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos".

Nos discursos, aliados de Flávio pouparam o STF de ataques, reforçando que o alvo das críticas é Moraes, que também esteve na mira dos militantes, que exibiam cartazes pedindo seu afastamento e até prisão — além de bandeiras do Brasil e dos EUA.





