
Foi preciso a água bater na barba para o ministro Edson Fachin apressar o passo para não ser atropelado pela aluvião. À primeira vista, soa estranho que Fachin tenha recolocado Andrei Rodrigues na direção-geral da Polícia Federal e Leandro Almada no cargo de diretor de Inteligência, horas depois de o ministro Flávio Dino ter revogado a decisão de André Mendonça, que os afastara dos cargos.
O que Fachin fez não foi chover no molhado, mas mostrar aos ministros de o Supremo e à sociedade escandalizada que o STF não é a casa da mãe Joana.
Fachin revogou ao mesmo tempo as decisões de Mendonça e Dino, para que o plenário avalie a situação do diretor-geral da PF, sem o peso de uma liminar interpretada como ingerência do Judiciário no Executivo por ato monocrático de um ministro.
Fachin escreveu: "É grave o quadro em que decisões de ministros passam a ser desafiadas horizontalmente, mormente quando pendentes, tanto o julgamento em curso no âmbito da Segunda Turma deste Tribunal, quanto o pedido de suspensão de liminar que se encontra sob apreciação desta Presidência. Considero necessária a suspensão das decisões ora analisadas, porquanto, para além de qualquer juízo meritório sobre o afastamento ou não de autoridades, o qual será realizado oportunamente, cumpre obstar quadro de conflitos e sobreposições processuais que, por si só, configuram lesão à ordem pública e à integridade deste Tribunal".
Fachin foi além. Tirou o ministro Alexandre de Moraes da relatoria do interminável inquérito das Fake News, aberto em 2018, e avocou para si a responsabilidade por seu desfecho. Moraes saiu da condição de estilingue para vidraça com o levantamento, por Mendonça, do sigilo de relatório da PF produzido para responder quem era o interlocutor com quem Daniel Vorcaro trocara 52 mensagens antes de ser preso. Era Moraes, mas o conteúdo de suas mensagens é desconhecido porque ele usava o sistema de visualização única, pelo qual o conteúdo se apaga ao ser aberto.
Foi nesse pacote de mensagens que apareceu o nome de Andrei e também do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Vorcaro pedia ajuda a Moraes para tentar evitar a liquidação do Banco Master e mencionava os nomes de "Paulo" e "Andrei" como pessoas que poderiam ajudar a salvá-lo. Não resolveu, porque o banco foi liquidado e ele está preso, tentando sem sucesso fechar um acordo de delação premiada com a Polícia Federal e o Ministério Público.
A partir de agora, Fachin terá de tomar as rédeas dos processos e restabelecer a normalidade no plenário. Conhecendo-se os usos e costumes dos ministros, é provável que um ou outro peça vista para ganhar tempo e empurrar qualquer decisão mais drástica para depois da eleição.




