
Passadas 24 horas de uma das sessões mais bizarras da história do Supremo Tribunal Federal, ainda se ouvem os ecos das frases pronunciadas pelo decano Gilmar Mendes para criticar a "investigação seletiva" do ministro André Mendonça, focada apenas em Alexandre de Moraes e sem aval do Ministério Público. Gilmar acusou de Mendonça de conduzir os processos do Banco Master com "inequívoco viés político", para favorecer um grupo (o bolsonarismo) e de maneira digna de máfia, covarde e vil.
— Já disse isso em outro momento: até a máfia tem ética. É preciso ter decência, não se comportar desta forma. Um tribunal que isso admite já não delibera com liberdade — vociferou.
Tivesse ficado só nisso, já seria grave, mas Gilmar foi além. Porque o código de ética da máfia não pode ser exemplo de para ninguém, menos ainda para um ministro do Supremo. Porque a "ética" da máfia não se resume à "omertá", o código de silêncio citado por Gilmar. Basta ver dois ou três filmes para saber qual é a ética da máfia em relação aos inimigos.
Gilmar pode estar certo na crítica à rapidez com que Mendonça comanda a investigação dos malfeitos praticados por seus adversários e a lentidão quando os delitos são de outra vertente, num escândalo que envolve direita, esquerda e centrão. Mas não pode usar a máfia como exemplo, muito menos sugerir que um ministro tem obrigação de preservar — seria mais preciso dizer encobrir — as suspeitas que envolvem seus pares ou os filhos deles.
Sim, Gilmar citou os filhos, provavelmente referindo-se às mensagens que mencionam dinheiro ou mimos para os filhos de Alexandre de Moraes, Kássio Nunes Marques e Luiz Fux.



