
A falta de clareza sobre os critérios adotados para a distribuição do fundo eleitoral entre os 29 candidatos a deputado estadual do Progressistas no Rio Grande do Sul tem causado frustração e revolta entre postulantes do partido. Cerca de R$ 10,5 milhões foram distribuídos entre os candidatos, com repasses que variam entre R$ 60 mil e R$ 1,2 milhão (veja a lista completa no final do texto).
Entre os atuais deputados, ficou definido que todos receberiam R$ 400 mil para disputar a reeleição. Entretanto, de acordo com as prestações de contas dos candidatos disponíveis no portal DivulgaCand, do Tribunal Superior Eleitoral, há discrepância nos valores pagos aos parlamentares.
Guilherme Pasin aparece no topo da lista, com R$ 1,2 milhão, seguido por Joel Wilhelm, contemplado com R$ 920 mil. Rodrigo Lorenzoni e Gaúcho da Geral, ambos concorrendo pela primeira vez pelo PP, têm mais de R$ 600 mil à disposição. Marcus Vinícius, disputando o segundo mandato, e Adolfo Brito, que tenta chegar ao nono mandato consecutivo, ganharam cerca de R$ 450 mil cada um.
Entre os candidatos que tentam alcançar uma cadeira na Assembleia pela primeira vez, o repasse difere ainda mais. Ronize Damassini, produtora rural de Tuparendi, no Noroeste gaúcho, obteve R$ 882.342,83 da direção nacional do PP. Ronnie Mello, ex-prefeito de Uruguaiana, e Marcos Felipi, vereador de Porto Alegre, receberam R$ 725 mil do partido. Enquanto isso, Bia Piccoli, Cristiane Vacca e Millena Vieira têm R$ 70 mil à disposição, e Silvinho 9, R$ 60 mil.
Chamam atenção ainda os repasses feitos a Nicole Webber Covatti e Sandro Franciscatto, o Sandro do Covatti — esposa e tio de Covatti Filho, presidente estadual do partido. Ambos receberam R$ 400 mil, mais do que metade da nominata, que recebeu repasses entre R$ 60 mil e R$ 300 mil.
Diferença federal
Entre os candidatos a deputado federal, cujos repasses somam R$ 15,4 milhões, a situação se repete. Disputando a reeleição, Covatti Filho é o deputado que mais recebeu recursos, cerca de R$ 2,6 milhões, o mesmo valor de Onyx Lorenzoni — que, apesar da trajetória como deputado e ministro, ingressou no partido na metade de 2025. Afonso Hamm e Pedro Westphalen, que também concorrem a um novo mandato, ganharam um pouco menos: R$ 2,4 milhões.
Recém-chegada no partido, Any Ortiz também disputa a reeleição, mas tem R$ 1 milhão disponibilizado pelo partido para fazer campanha. É o mesmo valor recebido por Patrícia Beck, que concorreu a prefeita de Novo Hamburgo em 2020, e menos do que Mariana Lescano, vereadora de Porto Alegre, obteve (R$ 1,3 milhão).
Dobradinhas
À coluna, Covattinho explicou que a diferença de valores recebidos pelos candidatos se explica pelas dobradinhas — quando um candidato a deputado federal e um a estadual fazem uma "aliança" para pedir votos juntos nos materiais de campanha.
Quando estes acordos são feitos, é comum que o candidato a deputado federal, com mais recursos, doe parte da sua verba para o postulante a estadual. Quando isso ocorre, os valores são descritos no DivulgaCand.
Para acelerar o repasse dos recursos, o PP "cortou caminho" e pediu para que os candidatos a federal informassem diretamente à direção nacional com quem fariam suas dobradinhas. Dessa forma, o partido fez o repasse direto para os candidatos a estadual conforme a indicação — neste formato, entretanto, os repasses não são informados ao TSE.
— Muitos dos deputados federais pegaram parte da sua cota e já repassaram para sua dobradinha. Não fizemos critério de quem vai receber x ou y. Houve análise do potencial de cada candidato. Um candidato que não tem tanto potencial, se receber muito valor e poucos votos, pode ser considerado uma candidatura laranja. Todos receberam mais ou menos a mesma coisa, mas alguns não receberam nada de dobradinha — explicou Covatti Filho, que também garantiu não haver nenhum tratamento especial para a esposa ou o tio.
Ele anunciou ainda que garantiu mais repasses da direção nacional aos candidatos após contato com Ciro Nogueira, presidente nacional do PP. Ainda não há previsão de quando a verba será disponibilizada, para quem será distribuída e quanto cada um receberá.
Repasses aos candidatos
* Disputam a reeleição
Deputado estadual
- Guilherme Pasin*: R$ 1.196.002,64
- Joel Wilhelm*: R$ 920.259,10
- Ronize Damassini: R$ 882.342,83
- Marcos Felipi: R$ 725.000,00
- Ronnie Mello: R$ 725.000,00
- Rodrigo Lorenzoni*: R$ 654.923,83
- Gaúcho da Geral*: R$ 620.000,00
- Marcus Vinícius*: R$ 472.702,13
- Adolfo Brito*: R$ 446.245,00
- Volmir Rodrigues Gordo: R$ 430.000,00
- Matheus Ayres: R$ 425.000,00
- Nicole Weber Covatti: R$ 400.000,00
- Sandro do Covatti: R$ 400.000,00
- Mário Augusto: R$ 300.000,00
- Alexandra Lentz: R$ 270.000,00
- Luís Fernando Pires: R$ 250.000,00
- Professora Cláudia: R$ 240.017,33
- Claudio Quevedo: $ 200.000,00
- Ruivo: R$ 200.000,00
- Salmo: R$ 200.000,00
- Veterinária Marlene Nascimento: R$ 130.000,00
- Pederssetti: R$ 125.000,00
- João Monteiro: R$ 100.000,00
- Bia Piccoli: R$ 70.000,00
- Cristiane Vacca: R$ 70.000,00
- Millena Vieira: R$ 70.000,00
- Silvinho 9: R$ 60.000,00
- Aninha: ainda não prestou contas à Justiça Eleitoral
- Rafael Acosta Amaral: ainda não prestou contas à Justiça Eleitoral
Deputado federal
- Covatti Filho*: R$ 2.636.555,20
- Onyx Lorenzoni: R$ 2.636.555,20
- Afonso Hamm*: R$ 2.436.555,20
- Pedro Westphalen*: R$ 2.436.555,20
- Mariana Lescano: R$ 1.300.000,00
- Any Ortiz*: R$ 1.000.000,00
- Patricia Beck: R$ 1.000.000,00
- Matteus Amaral: R$ 850.000,00
- Gladis Frizzo: R$ 400.000,00
- Jonatas Toledo: R$ 400.000,00
- Thaian Dutra: R$ 112.000,00
- Fabiane Felix: R$ 101.725,00
- Nathy Ulguim: R$ 101.725,00


