
Os especialistas em Direito Eleitoral estão divididos, mas qualquer leigo identifica sinais de abuso de autoridade na punição imposta pelo ministro Dias Toffoli ao candidato Renan Santos (Missão). Relator do pedido de registro do candidato, Toffoli proibiu Renan de usar as redes sociais, de utilizar recursos do fundo eleitoral e até de participar de debates.
Renan errou ao não informar, no momento do registro da candidatura, o endereço de todas as redes sociais que seriam usadas na campanha. Retificou depois, mas Toffoli foi implacável. Fez o mesmo com Wilson Grassi, um candidato do grupo que não chega a 1% nas pesquisas.
O ministro poderia ter imposto uma multa, mas bloqueou a campanha a pouco mais de um mês da eleição. Um exagero evidente, que precisa ser corrigido pelos demais ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Quem ganha com o bloqueio a Renan? Pela lógica, o único favorecido é Flávio Bolsonaro (PL), dado que disputa a mesma faixa do eleitorado com o candidato da Missão. Ou para Augusto Cury, o novo queridinho de uma parcela dos indecisos. Nenhum voto perdido por Renan Santos vai para o presidente Lula.
Não se imagina que Toffoli tenha tomado uma decisão tão drástica para favorecer A ou B. Tudo indica que foi uma demonstração exagerada de poder, que abre um precedente perigoso na disputa eleitoral.





