
A três semanas da eleição, qualquer fato novo envolvendo um dos candidatos pode fazer as pesquisas oscilarem para cima ou para baixo, mas só alguma coisa muito grave tiraria o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) do segundo turno. Do que se conhece até agora sobre as acusações que pesam sobre os candidatos, não há nada que faça os eleitores apaixonados mudarem de ideia. Porque a eleição presidencial de 2026 é uma guerra de rejeições entre Lula e Flávio.
Os fatos se sucedem em tal velocidade que até pessoas bem-informadas trataram como novidade a autorização do ministro André Mendonça para que a Polícia Federal investigasse Flávio Bolsonaro. Não era. A autorização para a abertura de um inquérito específico sobre o financiamento do filme Dark Horse foi dada e amplamente noticiada no final de junho. Tinha-se a impressão de que a Polícia Federal estava parada nesses mais de dois meses, mas agora se sabe que não.
Ser investigado por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas não quer dizer que Flávio está condenado por antecipação. Ou que haverá algum desfecho até o dia da eleição. Seu pedido de dinheiro para Daniel Vorcaro era público desde que vieram à tona, pelo Intercept Brasil, as mensagens cobrando a liberação das parcelas atrasadas para pagar as despesas de produção do filme sobre a vida do pai. Flávio acabou tendo de admitir que pedira o dinheiro e cobrara a liberação naquele áudio em que chama Vorcaro de irmão e faz uma declaração de fidelidade eterna.
O importante no caso é o que virá quando cair o sigilo dos relatórios da Polícia Federal. A PF pediu autorização para investigar não só os repasses, mas o destino do dinheiro, que foi transferido para os Estados Unidos. A suspeita é de que os milhões de Vorcaro ajudam a financiar a boa vida do deputado cassado Eduardo Bolsonaro em seu autoexílio no Texas. Esse inquérito se cruza com outro, o relatado por Flávio Dino, que deu origem à operação de quinta-feira, sobre possível desvio de emenda parlamentar do deputado Mário Frias (PL-SP) para a produtora do filme.
Flávio e sua equipe de campanha têm motivos para se preocupar. Lá atrás, quando Michelle Bolsonaro gravou aquele vídeo de rompimento com o enteado, deu a entender que sabia de alguma bomba por estourar. Depois, oficialmente os dois fizeram as pazes, ela virou candidata ao Senado pelo Distrito Federal, mas tem evitado se envolver na campanha. Na quinta-feira, quando disse que a operação da PF era a “terceira facada”, Flávio acusou o golpe. Agora será preciso conhecer o conteúdo das investigações para saber se essa “facada” pode afundar candidatura ou elegê-lo, como ocorreu com o pai em 2018, se nada relevante vier à tona.



