
Dois debates previstos para os próximos dias no Rio Grande do Sul foram cancelados pelo mesmo motivo: a negativa de Juliana Brizola (PDT) e Luciano Zucco (PL) em comparecer. É público que se trata de uma estratégia de campanha para evitar desgaste, já que estão à frente nas pesquisas, mas o prejuízo para a discussão dos problemas do Estado é evidente.
Teremos uma eleição em que os candidatos com mais chances de vencer só querem falar sozinhos e assim não precisam se preocupar em explicitar as propostas que na propaganda eleitoral são apresentadas de forma simplista.
Como a alegação oficial é de falta de agenda para tantos debates, a Famurs se uniu a Farsul, Fiergs e Crea e propôs uma data e horário factíveis — o domingo, 6 de setembro, 10h da manhã na Expointer. Zucco e Juliana disseram "não" e as entidades tiveram de cancelar para não deixar o vice-governador Gabriel Souza (MDB) e o ex-prefeito de Guaíba Marcelo Maranata (PSDB) falando sozinhos. O mesmo ocorreu com o debate promovido pelo portal de notícias DuduNews, com atuação na Região Metropolitana.
Ainda que o formato precise ser modernizado, o debate ainda é um instrumento importante para o eleitor avaliar a capacidade dos candidatos para gerir um Estado complexo como o Rio Grande do Sul.
Zucco e Juliana tentam interditar o debate porque seus marqueteiros orientaram a excluir Gabriel Souza do jogo, temendo que ele pudesse usar o conhecimento da máquina do Estado como trunfo para chegar ao segundo turno. Quem perde com isso é a população e não o vice-governador, que tem se revelado incapaz de furar o bloqueio por outros caminhos.
A se confirmar o segundo turno entre Zucco e Juliana, vai acabar a lua-de-mel que caracterizou a aliança entre os dois até aqui. Os dois terão de usar todos os espaços disponíveis para mostrar ao eleitor por que seu projeto para o Rio Grande do Sul é melhor — ou mais viável.





