
Com bandeiras e guarda-chuvas, quase 30 mil pessoas se reuniram no Centro Histórico para o primeiro ato de campanha de Lula em Porto Alegre para a disputa eleitoral de 2026, que mais parecia um show de rock. O presidente e candidato à reeleição subiu ao palco montado no Largo Glênio Peres, ao lado do Mercado Público — iluminado com as cores verde, amarelo e vermelho —, às 19h26min, vestindo um chapéu preto e um sobretudo que o acompanharam durante toda a sexta-feira (11).
A aglomeração começou antes das 17h, e aos poucos o espaço foi sendo ocupado por militantes com suas capas de chuva e os característicos bonés vermelhos, justificando a segurança reforçada. Por cerca de uma hora, ouviram os discursos de candidatos da coligação de esquerda, do senador Paulo Paim e dos ex-governadores Tarso Genro e Olívio Dutra — muito ovacionado, mas se alongou na fala e resistiu a abandonar o microfone, apesar das tentativas da mestre de cerimônias que conduzia o ato.
Em seguida, o público que aguardava a chegada de Lula, sob uma garoa fina que custou a cessar, foi embalado por jingles da campanha e músicas de Gilberto Gil, Chico Buarque e Alceu Valença. Às 19h13min, o público foi informado do início do comício em 13 minutos, contados no telão regressivamente.
Lula subiu ao palco com a cara amarrada, mas aos poucos foi se soltando a medida que os aliados lhe elogiavam e conduziam a multidão ao microfone. Com a voz mais rouca do que lhe é característica, o presidente pediu um spray que borrifou na garganta e tomou água diversas vezes no seu pronunciamento — as vezes por lembrança de Janja, sua esposa que o acompanhou no ato.
Janja estava muito animada, dançando ao som do Rap do Silva e inclusive cantou — com abuso de playback — a música Tapete Vermelho, gravada para a campanha eleitoral com o compositor Kléber Lucas. Em um dos momentos de descontração, a primeira-dama recebeu a companhia de Manuela D'Ávila (PSOL) e Paulo Pimenta (PT), candidatos ao Senado, para uma dança sincronizada.

Candidata ao governo do RS, Juliana Brizola (PDT) agradeceu a Lula pela confiança de a ter escolhido para ser a cabeça de chapa no Rio Grande do Sul em vez de Edegar Pretto (PT), que é candidato a vice-governador na coligação. Com muitas críticas ao atual governo estadual, Juliana pediu a Lula que prorrogue o Funrigs e crie um fundo constitucional do Sul, e prometeu acabar com os feminicídios no Estado.
— Rio Grande do Sul vive num modelo há 12 anos. Venderam tudo, aumentaram impostos, tudo em nome de botar as contas em dia. Te prepara, Edegar, porque estamos herdando uma dívida desse modelo econômico — ironizou, encerrando o discurso entregando rosas vermelhas aos candidatos e líderes políticos no palco.
Lembrança do rei

Estas mesmas rosas foram recolhidas por Lula, que começou sua manifestação ao melhor estilo Roberto Carlos: jogando as flores para o público. A referência foi tamanha que Janja o lembrou de que deveria beijar a rosa antes de atirar, e depois, já se dirigindo ao público gaúcho, lembrou de uma música do cantor da jovem guarda.
— Fiquei pensando no que dizer pra vocês, e aí me lembrei daquela música do Roberto Carlos: "eu tenho tanto pra lhe falar, mas com palavras não sei dizer como é grande o meu amor por vocês" — cantou Lula.
Durante quase uma hora de discurso, o presidente usou maior parte do tempo exaltando números da atual gestão na educação, segurança e economia. Fez um aceno ao PDT de Juliana citando Getúlio Vargas como um defensor da inclusão social, e lembrou de quando ouviu da ex-senadora Ana Amélia Lemos (hoje no PP) que ela só estudou porque Leonel Brizola construiu uma escola perto de onde morava, em Lagoa Vermelha.
— O Brizola pode ter morrido para alguns, mas está no DNA dessa mulher. Votar nessa moça aqui, na Juliana, é recuperar a dignidade do homem que transformou a educação desse Estado — disse.
Lula terminou sua manifestação pedindo votos nos candidatos da majoritária da coligação da esquerda, e, com bom humor, disse que era para votar nele "caso não esteja cansado de apertar tanto botão na urna". Os candidatos foram envoltos em papel picado, jogado aos montes pelo ar, e Lula circulou ao redor do palco, protegido por seguranças, para cumprimentar o público antes de deixar o Largo Glênio Peres, por trás da estrutura montada.




