
Mais uma vez, veio dela, a ministra Cármen Lúcia, um dos raros momentos elevados na sessão do Supremo Tribunal Federal em que predominou a baixaria. Última a votar na sessão em que se discutia a abertura da investigação do ministro Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia deu uma lição de civilidade aos colegas que em alguns momentos se comportaram como colegiais mal-educados.
A ministra teve a dignidade de pedir desculpas ao povo brasileiro por não ter conseguido evitar que o Supremo provocasse o que ela chamou de "mal-estar cívico". Com voz calma, disse que estava vivendo um momento de profunda consternação.
— Sinto-me envergonhada. A menos de 20 dias da eleição estão todos voltados para o STF. É disso que se fala nas farmácias, nas padarias, nos telejornais. Não é um quadro bonito. Se eu, como juíza desta Casa, fui omissa para ter ajudado mais, estou pedindo desculpas aos colegas e ao povo brasileiro. Houve uma espetacularização desses casos, desta sessão mesmo, que faz mal ao país. O país espera de nós uma tranquilidade que não conseguimos dar.
Em outro ponto de sua fala, Cármen Lúcia se definiu como "uma velha avulsa", que não está em um grupo ou outro. Disse que não sofreu pressões internas nem externas. E disse que ministros não podem votar com base no clamor público.
— Eu cumprirei meu dever como juíza — disse Cármen Lúcia, antecipando seu voto pela apreciação em separado das petições contra Alexandre de Moraes e André Mendonça.





