
Ainda que não seja nobre o motivo do pedido para levantamento do sigilo de novos trechos da investigação sobre pagamentos feitos pelo Banco Master, a decisão do ministro Edson Fachin deve ser saudada como uma vitória da transparência. O motivo não é nobre porque faz parte de um movimento para retardar (ou impedir) que o plenário decida na terça-feira (15) se o ministro Alexandre de Moraes deve ser investigado por suas relações com Vorcaro.
Da mesma forma, a ordem para que a Polícia Federal entregue todo o conteúdo do celular principal de Vorcaro — o iPhone 17 apreendido no dia em que foi preso pela primeira vez — é, no mérito, positiva. Os ministros que vão julgar Alexandre de Moraes precisam estar todos na mesma página, tendo conhecimento pleno dos dados que embasam o pedido de investigação feito pelo relator André Mendonça.
Recapitulando: a Polícia Federal encontrou no celular de Vorcaro mensagens comprometedoras trocadas com Moraes. Está claro que o banqueiro se aconselhava com o ministro e pedia socorro quando se via em apuros. Não se sabe o que Moraes respondeu, porque ele usava o sistema de visualização única, em que a mensagem vai para o espaço depois de lida.
O que se sabe, com cópia disponível para quem quiser ler, é que sua esposa, Viviane Barci de Moraes, tinha um contrato de R$ 3,6 milhões por mês, que ao final chegaria a R$ 131 milhões.
A derrubada ampla, geral e irrestrita do sigilo do telefone de Vorcaro ilumina uma zona de sombra, que é o tamanho da rede que o banqueiro falido montou para se proteger enquanto praticava falcatruas que lesaram pessoas físicas e jurídicas.
Diz-se de Vorcaro que "comprou todo mundo que estava à venda em Brasília. A uns pagou em dinheiro, a outros ofereceu mimos que vão de viagens de luxo a festas com mulheres contratadas para agradar aos convidados. Tudo isso precisa ser levado ao conhecimento do distinto público, que com seus impostos financia os agentes públicos.




