Boa parte dos eleitores que votarão em 4 de outubro ainda não tinha nascido em 18 de agosto de 1996 quando a urna eletrônica foi apresentada aos gaúchos, em um teste realizado em Caxias do Sul. Para celebrar os 30 anos dessa balzaquiana que todo o Brasil conhece, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul (TRE-RS) organizou uma exposição e lançou o livro 1996 – O RS entra na era da urna eletrônica.
Na solenidade, realizada no plenário histórico do TRE-RS, a presidente da Corte, desembargadora Maria de Lourdes Gonzalez, homenageou o ministro Paulo Roberto Saraiva da Costa Leite. À época, ele era vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral e acompanhou o teste em Caxias e em outras cidades brasileiras.
No primeiro teste, foram instaladas 16 urnas em oito pontos da cidade. Os "candidatos" da eleição simulada eram artistas conhecidos. A apuração foi um sucesso. Em 30 minutos, todos os 5.310 votos já estavam registrados no computador central localizado na Casa de Cultura de Caxias.
A vencedora foi a cantora Elis Regina que, se fosse uma eleição para valer, teria sido eleita no primeiro turno, com 51,04% dos votos. À época o jornal Pioneiro registrou uma curiosidade: todos os candidatos que disputavam a prefeitura de Caxias votaram na Pimentinha. Entre eles, o hoje deputado estadual Pepe Vargas (PT) e o ex-governador Germano Rigotto, candidato ao Senado pelo MDB.
O prefeito Mário Vanin votou para vereador em Paulo Gracindo, ator que interpretava Odorico Paraguassu em O Bem-Amado. E justificou a escolha:
— Ele tem experiência administrativa, já que foi prefeito de Sucupira.
Em três décadas — e com eleição de dois em dois anos — a urna amadureceu e passou por uma série de aperfeiçoamentos. Hoje, com mais de 100 milhões de eleitores, o Brasil conhece o resultado de uma eleição que envolve presidente, governador, senador, deputado estadual e federal cerca de três horas depois de encerrada a votação.

