
Se perguntar a qualquer um dos candidatos ao governo do RS quem será o seu secretário da Educação, a maioria responderá que antes de montar a equipe é preciso vencer a eleição. Mas basta olhar quem são os conselheiros de cada um e prestar atenção às pistas semeadas para identificar os nomes mais óbvios para o primeiro escalão.
Na semana passada, ao apresentar seu plano de governo, o candidato do PL, Luciano Zucco, praticamente convidou o senador Luis Carlos Heinze para ser secretário. Da Agricultura? Não, de Infraestrutura. Disse Zucco, dirigindo-se a Heinze, que termina o mandato no final de janeiro:
— O senhor não vai descansar. Então, se tudo der certo, o senhor se prepara para continuar tocando o porto de Arroio do Sal, o aeroporto de Vila Oliva, a ferrovia. Eu não aceito um "não, vamos ver". Não, não. Não. O senhor só vai descansar uns dois ou três meses. Depois vai voltar pro batente.
Na Educação, o homem forte de Zucco é Leonardo Pascoal, secretário da Educação de Porto Alegre, que desistiu de concorrer a deputado federal e trabalhou na elaboração do plano de governo. Na Segurança Pública, Zucco já disse a diferentes interlocutores que o deputado Ubiratan Sanderson, policial federal, tem perfil para ser secretário, caso não se eleja senador.
Entre as mulheres, a vereadora Comandante Nádia, que concorre a deputada estadual, pode figurar no primeiro escalão de eventual governo. Outra que desistiu de concorrer a deputada federal para ajudar na campanha de Zucco é a ex-senadora Ana Amélia Lemos, que retornou ao PP depois de uma breve passagem pelo PSD.

Juliana Brizola, se for eleita, terá de dividir as secretarias estratégicas com o PT. Do seu partido, dois nomes são considerados certos para o governo — o coordenador da campanha, Vieira da Cunha, procurador aposentado do Ministério Público, e o professor Paulo Burmann, ex-reitor da Universidade Federal de Santa Maria, coordenador do Plano de Governo.
Vieira tem perfil para a chefia da Casa Civil. Burmann seria a aposta número 1 para a Educação. O deputado Afonso Motta é outro líder do PDT que nunca largou a mão de Juliana e teria espaço no secretariado, sendo ou não reeleito.

No PT, quem mais trabalhou pela aliança foi o deputado Paulo Pimenta, que é candidato a senador. Se for eleito, exercerá o mandato, naturalmente. Se não for, tem tudo para ocupar uma secretaria estratégica. Henrique Fontana, suplente de Manuela D’Ávila, e Alexandre Bublitz, dois médicos experientes, têm perfil para a Secretaria da Saúde.
Como representante do governo de Eduardo Leite, Gabriel Souza tem no MDB e no PSD os candidatos mais fortes a um cargo no secretariado. O vice, Ernani Polo, que deixou o PP para se juntar a Gabriel, é um nome forte para continuar o trabalho na Secretaria de Desenvolvimento Econômico.

Artur Lemos, que joga em diferentes posições e foi chefe da Casa Civil no governo Leite é nome certo num eventual governo Gabriel, assim como as atuais secretárias Danielle Calazans (Planejamento), Pricilla Santana (Fazenda) e Izabel Matte (Obras), pelo desempenho no atual governo. Primeira mulher a assumir a Chefia de Polícia, a deputada Nadine Anflor seria forte candidata a secretária da Segurança Pública.
Em caso de vitória de Maranata, o presidente estadual do PSDB, Moisés Barboza, que brigou pela candidatura própria, teria papel de destaque. O PSDB ficou desfalcado com a ida dos seus principais quadros para o PSD, mas tem Marisol Santos, vereadora de Caxias do Sul, e Daniel Trzeciak, deputado federal, entre as apostas.



