
A campanha mal começou e o PT no Rio Grande do Sul corre o risco de perder dois dos seus candidatos a deputado federal. Ex-prefeito de Porto Alegre, José Fortunati reclama da divisão do fundo eleitoral feita pelo partido entre os concorrentes, enquanto o ex-prefeito de São Leopoldo Ary Vanazzi tenta reverter decisão na Justiça Eleitoral que o tornou inelegível.
Entre os três grupos de distribuição dos recursos, Fortunati foi classificado pela direção estadual no grupo 1, intermediário, dedicado aos candidatos que são personalidades, nomes históricos e apostas do partido e que não disputam a reeleição (estes ficam no grupo especial). Os demais ficam no grupo 2, para o qual Fortunati foi rebaixado pela direção nacional.
Com a mudança na classificação, a verba disponível para a campanha caiu de cerca de R$ 1 milhão para um limite de R$ 250 mil. Enquanto isso, quem vai disputar a reeleição receberá entre R$ 1,8 milhão e R$ 3 milhões. Os cinco que tentarão um novo mandato ainda têm verba de gabinete, assessores do cargo e emendas parlamentares.
Decidido a desistir de concorrer, Fortunati foi convencido a permanecer na disputa e fazer a campanha "como nos velhos tempos". No domingo (16), enviou mensagem a amigos e apoiadores mais próximos em tom de desabafo, reclamando da divisão dos recursos, mas reiterando que manteria a candidatura enquanto busca uma reclassificação em Brasília, com apoio do secretário-geral do PT, Cícero Balestro.
"Não bastasse essa vantagem 'natural', o partido decidiu que eles seriam privilegiados no recebimento do Fundo Eleitoral, aumentando ainda mais o fosso com os demais candidatos. Para quem já participou de alguma campanha sabe que os recursos que estamos recebendo não permitem fazer uma campanha minimamente organizada", reclama o ex-prefeito.
Histórico
Não é a primeira vez que Fortunati tem problemas com verbas para a campanha. Em 2022, concorreu a deputado federal pelo União Brasil, mas se afastou do partido depois de não receber o valor prometido para a campanha. O ex-prefeito acabou bancando parte da campanha com dinheiro do próprio bolso, e até hoje cobra na Justiça o ressarcimento dos valores – estimados em mais de R$ 1 milhão.
Até o ano passado, Fortunati publicava quase que diariamente no seu perfil do Instagram uma contagem dos dias em que o partido estava devendo para a sua campanha. Fortunati voltou ao PT depois de passar por PDT, PSB, PTB, PROS, União Brasil e PV.
Também em 2022, Tarcísio Zimmermann (então no PT) desistiu da candidatura a deputado federal reclamando dos poucos recursos disponibilizados para fazer campanha. A insatisfação foi tamanha que, além de abandonar a disputa eleitoral, também decidiu deixar o partido depois de 44 anos de filiação.
Inelegível
Além da insatisfação de Fortunati, o PT terá de resolver a situação de Ary Vanazzi, que registrou candidatura a deputado federal, mas está inelegível. Em julho, o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou recurso e manteve a condenação por improbidade administrativa, relativa a um convênio firmado pela prefeitura de São Leopoldo em 2007, durante um dos mandatos de Vanazzi na cidade.
Após o registro na Justiça Eleitoral, o Ministério Público pediu a impugnação da candidatura. Em nota divulgada nas redes sociais, a coordenação da campanha de Vanazzi alega que a manifestação não representa uma decisão judicial definitiva e que irá apresentar todos os argumentos necessários para defender a legitimidade da candidatura.
"É importante esclarecer a natureza do processo que fundamenta o pedido. Trata-se de uma ação relacionada a atos praticados durante sua gestão à frente da Prefeitura de São Leopoldo. A grande maioria dos apontamentos que integravam o processo original foi afastada ao longo da tramitação, permanecendo uma discussão específica relacionada a um patrocínio de aproximadamente R$ 15 mil a uma rádio local. Nossa defesa jurídica segue atuando nas instâncias superiores, buscando a revisão das decisões e a garantia plena do direito de disputar a eleição", diz trecho da nota.





