
O jornalista Henrique Ternus colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
Um projeto de lei protocolado na Assembleia Legislativa tenta proibir o governo estadual de anunciar em veículos de comunicação, redes sociais e plataformas digitais que divulguem casas de aposta online, as bets. A proposta é de autoria do deputado Delegado Zucco (Republicanos).
Se o projeto for aprovado e sancionado, o governo ficaria impedido de fazer qualquer transferência de recursos públicos aos meios de comunicação descritos no texto que façam divulgação de atividades ligadas às bets.
"Fica proibida a Administração Pública direta e indireta, incluindo autarquias, fundações públicas, empresas públicas, sociedades de economia mista e demais entidades controladas direta ou indiretamente pelo Estado do Rio Grande do Sul, de repassar, a qualquer título, recursos financeiros a veículos de comunicação impressa, televisionada, radiofônica ou digital e a plataformas de redes sociais da internet, provedores de aplicação e demais meios de comunicação digital que veiculem propaganda, publicidade, anúncios, patrocínios, conteúdos pagos ou qualquer forma de divulgação de atividades ligadas a apostas de quota fixa (bets), casas de apostas online, plataformas de jogos de azar virtuais e congêneres", diz o primeiro artigo do projeto.
O deputado alega que a medida tem por objetivo resguardar a sociedade gaúcha dos "impactos socioeconômicos decorrentes da proliferação descontrolada das apostas de quota fixa". Para embasar sua proposta, ele apresenta dados de um estudo do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo (Ibevar) e da FIA Business School, publicado em março de 2026, que colocam as apostas online como a principal causa de endividamento dos brasileiros.
— Não queremos vincular a imagem do Rio Grande do Sul aos jogos de apostas online. São jogos de azar que têm causado enormes prejuízos, especialmente à população mais carente, que, inclusive, tem recorrido aos benefícios sociais para fazer pagamentos em plataformas de bets — disse Delegado Zucco.
Questionado pela coluna sobre a constitucionalidade da medida, o parlamentar argumenta que cabe ao governo escolher onde veicular sua publicidade, e que vincular sua imagem aos jogos de azar é uma "decisão política".





