
O quadro eleitoral já estava praticamente fechado no final da semana passada quando o influenciador Pablo Marçal – aquele que levou uma cadeirada de José Luiz Datena, em 2024 – registrou sua candidatura a presidente da República pelo PRTB. Dá para levar a sério a candidatura de Marçal? Não. Porque ele está inelegível, foi condenado em segunda instância e não deve ter o registro deferido pela Justiça Eleitoral.
Sensação na eleição para a prefeitura de São Paulo em 2024, Marçal chegou perto de se classificar para o segundo turno, mas trocou os pés pelas mãos e tantas fez o moço que acabou desclassificado. Nos debates, fazia o estilo provocador, tentando a todo momento tirar os adversários do sério.
Guilherme Boulos e Nunes resistiram, mas Datena perdeu a cabeça e partiu parta cima de Marçal com uma cadeira, em um dos episódios mais lamentáveis da campanha eleitoral daquele ano.
Na véspera da eleição, divulgou um laudo médico falso, que acusava Boulos de ter sofrido um surto psicótico por uso de cocaína. O documento forjado continha erros grosseiros, como número de RG incorreto e nome da clínica errado, além de assinatura falsificada de um médico já falecido. A história caiu por terra no mesmo dia.
Não foi por essa armação que Marçal perdeu os direitos políticos por oito anos. Foi por uso indevido dos meios de comunicação, abuso de poder econômico e captação ilícita de recursos durante a campanha à prefeitura de São Paulo em 2024.
Uma das estratégias era oferecer premiação para seus apoiadores criarem e viralizarem nas redes sociais vídeos com cortes de suas falas na campanha, de forma a dificultar a fiscalização de gastos. Ele também foi acusado de impulsionamento ilegal de conteúdo e transações financeiras irregulares, envolvendo cabos eleitorais.
No registro da candidatura, Marçal divulgou patrimônio de R$ 7.418.372.569,00, o que faria dele o candidato mais rico entre todos os concorrentes. No fim de semana, informou que o dado estava errado, mas não divulgou qual seria o certo.
O que é isso, candidato?
Inscrito para concorrer a presidente pelo Democrata, o veterinário Wilson Grassi declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que seus bens somam R$ 50 milhões – sem quebrados.
Como se chega a esse valor? O candidato escreveu apenas uma descrição genérica: "Bens imóveis: posse e direitos sobre diversos imóveis financiados junto a instituições financeiras. Participações societárias: participação no capital social de diversas sociedades empresariais."
Ao assessor que fez contato oferecendo entrevista, a coluna perguntou se o valor dos bens estava correto e se Grassi iria retificar a declaração, especificando como se divide o patrimônio. Até a publicação desta matéria, nenhuma resposta.





