
A Polícia Federal fez o que manda a lição número 1 de qualquer manual de investigação sobre desvio de recursos: seguiu a trilha do dinheiro e chegou ao senador Weverton Rocha, do PDT do Maranhão. Não a ele, exatamente, mas ao suspeito de ser o seu operador financeiro, o advogado Willer Tomaz. Em seu escritório, os policiais encontraram dinheiro em espécie e uma sofisticada máquina de... contar dinheiro.
Em um país com a economia estável e um sistema financeiro confiável, por que alguém precisa de uma máquina de contar cédulas? Para escapar do fisco? Ou para esconder a origem?
Willer Tomaz disse que foi alvo da operação do PF porque presta serviços a Weverton Rocha. Que serviços seriam esses? O advogado disse que é proprietário de uma aeronave utilizada, em caráter estritamente particular, pelo senador maranhense.
O senador está na mira da PF desde que eclodiu o escândalo do INSS. Foi alvo de uma operação em dezembro, mas seu castelo desmoronou nesta terça-feira (4), quando a operação chegou à rede de lavagem de dinheiro operada por sua filha, com o auxílio do advogado. A investigação aponta ainda que a esposa do senador, Samya Rocha, recebeu mais de R$ 11 milhões de empresas ligadas ao advogado Willer Tomaz.
Segundo a PF, uma empresa vinculada a Tomaz comprou, por R$ 6 milhões, uma casa em Brasília que é apontada como residência de Weverton Rocha. Os investigadores descobriram que o senador participou das tratativas para a aquisição do imóvel, que teve a compra formalizada em abril de 2023 por uma sociedade vinculada a Willer.
Elo conhecido
De acordo com a Polícia Federal, o elo de Weverton com a fraude do INSS é um personagem conhecido como Careca do INSS, apelido de Antônio Carlos Camilo Antunes. Há fortes indícios de enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro e outros crimes tipificados no Código Penal.
A investigação precisa se aprofundar para explicar como um senador da República se envolveu no esquema que roubou mais de R$ 6 bilhões de aposentados e pensionistas do INSS. Weverton é vice-líder do governo Lula e companheiro de partido do ex-ministro Carlos Lupi, que comandava o Ministério da Previdência quando a PF deflagrou a primeira fase da Operação Sem Desconto.
No primeiro, momento, Lupi tentou preservar seus indicados para a direção do INSS, mas ele acabaram sendo afastados diante da confirmação de que foram, no mínimo, omissos. Lupi acabou sendo obrigado a pedir demissão, mas continuou firme na presidência do PDT, negociando alianças eleitorais diretamente com Lula e o presidente do PT, Edinho Silva.




