
Um dia depois de o presidente do PSD, Gilberto Kassab, vice de Ronaldo Caiado, ter dito que o centrão está com o presidente Lula e que Flávio Bolsonaro não tem chance na eleição de outubro, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, aceitou destravar pautas caras ao governo, entre as quais o fim da jornada de 6x1. O que uma coisa tem a ver com a outra? Alcolumbre é um dos próceres do centrão e estava rompido com Lula desde a rejeição de Jorge Messias para a vaga de Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal.
Lula e Alcolumbre reataram a relação política e isso abre caminho até para o presidente indicar Messias novamente, desta vez sem a oposição do presidente do Senado. Esse tema é secundário diante do que realmente importa, a votação do fim da escala 6x1 no Senado, com redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas.
O senador sabe que votando ou não votando, Lula vai usar o trabalho do governo pelo fim da escala 6x1 como tema de campanha. Assim como fizeram os deputados, os senadores que concorrem à reeleição também querem faturar dividendos eleitorais com uma proposta que desagrada aos empresários mas tem ampla aprovação dos trabalhadores.
O gesto de Alcolumbre ocorre depois de o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) ter declarado apoio a Lula. O poder é afrodisíaco, já dizia Ulysses Guimarães, repetindo Henry Kissinger . Motta também é do centrão, esse agrupamento que inclui políticos de diferentes partidos que não quiseram embarcar na candidatura de Flávio Bolsonaro e liberaram suas bases para evitar atritos internos. Significa, na prática, ter um pé em cada canoa e unir-se ao vencedor e isso explica por que MDB, PP, União Brasil e Republicanos não quiseram lançar candidato.
Kassab não estava traindo Caiado quando disse que o centrão está com Lula. Era o seu jeito de dizer o que Caiado disse à coluna no mês passado, em Porto Alegre. Que na opinião dele a candidatura de Flávio tende a derreter por conta do escândalo do Banco Master e de outros esqueletos do passado, que o PT vai tirar do armário quando achar que é o momento.
Há outro ponto que não pode ser ignorado. Alcolumbre e Motta sonham com mais um mandato na presidência das respectivas casas do Congresso. Ficar bem com o líder das pesquisas é meio caminho andado para se cacifar.






