
Para a maioria dos eleitores brasileiros, o nome de Alfredo Gaspar diz pouco ou nada. Deputado federal pelo PL de Alagoas, é ele a surpresa anunciada por Flávio Bolsonaro para ser seu vice, depois de o PL indicar que a escolha estava entre a deputada federal Priscila Costa, do Ceará, e o senador Rogério Marinho, do Rio Grande do Norte. Todos do PL, todos nordestinos, numa tentativa de entrar no território dominado pelo presidente Lula.
Gaspar não é uma dessas estrelas do Congresso, que volta e meia aparecem nos telejornais. Sua visibilidade se deve à CPMI do INSS, da qual foi relator, e aí reside a principal explicação para a escolha do seu nome como vice de Flávio.
O PL identifica no escândalo do INSS o calcanhar de Aquiles de Lula, ainda que os desvios tenham começado no governo de Michel Temer e continuado no de Jair Bolsonaro. Porque foi no governo Lula que a fraude cresceu e se multiplicou. Também foi no governo Lula que a torneira se fechou e é isso que o presidente vai dizer em sua defesa.
O anúncio de Gaspar veio acompanhado de uma mentira de Valdemar Costa Neto. O presidente do PL disse que Gaspar estava escolhido havia seis meses. Ora, pois. Até a véspera da indicação, Flávio corria desesperadamente atrás de um ou uma vice de outro partido, para ganhar tempo de TV e mostrar que não está sozinho.
Levou carão da federação PP-União Brasil, do Republicanos e do Podemos, que decidiram optar pela neutralidade. Gaspar é o que sobrou depois da fracassada tentativa de indicar uma mulher e assim tentar reduzir a rejeição no eleitorado feminino. As preferidas eram Tereza Cristina (PP), Daniela Marques (Republicanos) e Renata Abreu (Podemos).
A opção por Gaspar indica que a fraude do INSS estará no centro da campanha de Flávio para desgastar Lula, ainda mais agora que seu filho mais velho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, está sendo investigado.




