
Ganhe quem ganhar a eleição de outubro, o Rio Grande do Sul não terá o que Michel Temer chamou de "um vice decorativo". Pelo perfil dos companheiros de chapa de Gabriel Souza, Juliana Brizola, Luciano Zucco e Marcelo Maranata, nenhum é do tipo que se contenta em ganhar R$ 29,5 mil (brutos) para ficar em casa esperando o titular se afastar para assumir o cargo.
Ex-secretário do Desenvolvimento, Ernani Polo (PSD) já tem até missão definida para o caso de Gabriel se eleger governador. Será ele o interlocutor com os setores produtivos, como já vem ocorrendo na campanha, podendo retornar à secretaria, repetindo o que fez Ranolfo Vieira Júnior no primeiro governo de Eduardo Leite, quando foi secretário da Segurança. Outro exemplo é o do vice-presidente Geraldo Alckmin, que até março era ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.
O vice de Juliana, Edegar Pretto (PT), é mais experiente do que ela e estaria concorrendo a governador se não fosse o acordo pelo qual o PT abriu mão da candidatura própria para apoiar o PDT. De perfis diferentes, Pretto já vem representando a chapa em setores onde ele tem mais trânsito ou quando a candidata prefere não comparecer, como ocorreu nesta segunda-feira (10) na Transposul. Caso Juliana seja eleita, Pretto terá papel central no governo, repetindo o que ocorreu com Miguel Rossetto, vice de Olívio Dutra, que tinha gabinete na ala residencial do Piratini.
A deputada estadual Silvana Covatti (PP) também é bem mais experiente do que Zucco, seu companheiro de chapa. Ex-presidente da Assembleia e ex-secretária da Agricultura, Silvana é uma mulher que precisará ter um papel no governo, pelo que o PP representa na composição da aliança. Zucco tem dito que vai montar um secretariado mais técnico, com pessoas capacitadas na área em que vão atuar. Não seria a Agricultura a área de Silvana, mas pela sua biografia também não pode ser um gabinete sem trabalho efetivo.
Maranata escolheu inicialmente uma vice acostumada a colocar a mão na massa, a produtora rural Betty Cirne Lima, mas ela acabou cedendo ao apelo do governador Eduardo Leite e dos diferentes setores do agro para continuar à frente do Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, como uma espécie de prefeita da Expointer. Maranata então puxou Cláudio Diaz, que seria candidato ao Senado, e fez dele seu vice. Pelo perfil, Diaz é um homem da linha de frente e não aceitaria ser apenas o substituto eventual.

