
Com a confirmação do senador Eduardo Girão (Novo-CE) como vice de Romeu Zema (Novo), somente Flávio Bolsonaro chega à data-limite para a realização das convenções sem definir seu companheiro (a) de chapa. Até aqui, apenas o presidente Lula tem um vice de partido aliado e uma aliança que vai além do PT, embora restrita ao campo da esquerda. Atual vice-presidente, Geraldo Alckmin tem trânsito em setores do eleitorado que não votariam em Lula se o centro tivesse um nome competitivo.
A neutralidade aprovada na convenção do Republicanos nesta terça-feira (4) evidencia a dificuldade de Flávio para unir a direita em torno do seu nome, apesar de ser o segundo colocado nas pesquisas e, em alguns levantamentos, aparecer tecnicamente empatado com o presidente Lula.
O candidato do PL disse que definirá seu vice até 15 de agosto. Ora, esse é o prazo limite para registrar a candidatura. A data simbólica é 5 de agosto, porque é o prazo para os partidos realizarem suas convenções.
E se todos os potenciais aliados já escolheram seu caminho, restará a Flávio escolher uma pessoa do PL. Foi por falta de aliados dispostos a embarcar nos seus projetos que Zema escolheu Girão, Ronaldo Caiado (PSD) preencheu a vaga com Gilberto Kassab, presidente do partido, e Renan Santos ficou com Aroldo Medina.
Costuma-se chamar de "chapa puro-sangue" quando o titular o vice são do mesmo partido. Faria sentido esse apelido se fosse uma opção ideológica, para não abrir mão de princípios. No caso de Flávio, Caiado, Zema, Renan e candidatos de partidos inexpressivos, como os que estão na ponta de baixo da tabela nas pesquisas, é falta de opção mesmo.
Oportunismo político
Não há como considerar natural o fato de cinco dos maiores partidos no Congresso não terem candidato a presidente e não integrarem nenhuma aliança. Estão nessa lista PP, União Brasil, Republicanos, Podemos, MDB e PSDB, que fazem parte do centrão. É um retrato da falência do sistema partidário brasileiro.
Ao se declararem neutros, esses partidos ficam com um pé em cada canoa, prontos para trocar o apoio por cargos no futuro governo, seja quem for o vencedor.
A aposta desse bloco é na eleição de deputados federais, que garantem poder de barganha, mais dinheiro do fundo partidário e eleitoral e, de quebra, mais emendas para distribuir Brasil afora.


