
O jornalista Henrique Ternus colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
O vereador de Porto Alegre Jessé Sangalli (PL) terá de remover vídeo publicado nas suas redes sociais por acusar o governo estadual de fazer chantagem eleitoral. Segundo o parlamentar, Eduardo Leite e Gabriel Souza estariam exigindo apoio à candidatura do emedebista em troca da liberação de recursos para obras de reconstrução. Como não apresentou provas, a Justiça Eleitoral determinou a exclusão do conteúdo.
Candidato a deputado federal, Jessé diz que recebeu a denúncia após visitas a prefeitos no Vale do Taquari. Se referindo ao caso sempre de maneira hipotética, dizendo frases como "se isso for verdade" e "se eu tiver documentos que comprovem", ele afirma que o governo estaria pressionando os líderes municipais "de maneira ostensiva" a apoiar Gabriel para autorizar verba para a reforma da ponte entre Muçum e Encantado.
— Se isso for verdade, é um escândalo e, se eu tiver documentos que comprovem que apenas as cidades que forem apoiadoras do candidato do governador ao governo do Estado que estão recebendo dinheiro por conta desse apoio, eu irei pessoalmente denunciar ao Ministério Público. Então, se você é prefeito, vereador ou tem informações relevantes que possam elucidar essa questão, manda no meu WhatsApp ou no meu Instagram que eu vou pessoalmente apurar, porque não pode — diz Jessé no vídeo, confessando não saber se a denúncia é verdadeira.
O MDB levou o caso para a Justiça Eleitoral, que, em decisão liminar, determinou a remoção dos vídeos. A desembargadora Vânia Hack de Almeida argumenta que a garantia da liberdade de expressão "não confere proteção irrestrita à divulgação de afirmações de natureza factual que, em exame preliminar, revelem-se aptas a atingir a honra ou a imagem de candidatas, candidatos, partidos, federações ou coligações, especialmente quando apresentadas sem suporte mínimo de veracidade".
"A imputação possui evidente gravidade. Não se cuida, em princípio, de mera manifestação de opinião acerca da atuação administrativa do Governo do Estado ou de crítica política, ainda que contundente, à condução das políticas de reconstrução. A mensagem atribui a agentes públicos a utilização de recursos destinados à recuperação de municípios atingidos pelas enchentes como instrumento de pressão e obtenção de apoio político-eleitoral, circunstância que, em tese, poderia assumir repercussões nas esferas eleitoral, administrativa e penal. Embora o representado empregue expressões condicionais em determinados momentos da fala — 'se isso for verdade' e 'se eu tiver documentos que comprovem' —, a própria conformação da publicação, em exame inicial, não se apresenta exclusivamente como questionamento ou pedido de apuração", diz trecho do despacho.
Em caso de descumprimento da decisão, Jessé terá de pagar uma multa de R$ 5 mil por dia em que o vídeo permanecer no ar. O caso ainda será julgado pelo Tribunal Regional Eleitoral de maneira definitiva.





