
De todos os temas tratados no debate da Gaúcha, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) foi um dos principais alvos de distorção por parte dos candidatos que se opõem ao governo. Na única menção ao salto que o Estado teve de 2023 para 2025, Luciano Zucco (PL) e Juliana Brizola (PDT) disseram que a subida no ranking ocorreu porque os alunos passam de ano "automaticamente".
— A gente até teve uma notícia de melhora no Ideb, mas a gente sabe que um dos fatores que faz essa melhora é também passar os alunos de ano. A verdade é que muitos alunos já rodaram em quatro ou cinco matérias e mesmo assim foram passados de anos, o que aumenta o Ideb — disse Juliana.
Zucco reforçou a declaração e completou:
— Se houve uma evolução no Ideb baseado na aprovação e no aprendizado, fica muito claro, ele está tendo um resultado maquiado. Tanto é que o Paraná é o primeiro no Ideb e ele permite uma reprovação, com uma estratégia no contraturno, com acompanhamento. Então nós temos que, sim, aprender a ler e escrever. Ser 25º de 27 (Estados) não dá.
Quando teve oportunidade, Gabriel Souza (MDB) corrigiu os dois, lembrando que o Ideb mede aprendizagem, reprovação e evasão. Explicou que não existe aprovação automática, mas dependência, como nas escolas particulares, e que o aluno precisa recuperar no ano seguinte as matérias nas quais foi reprovado.
— A gente ficou muito feliz, o Estado foi o que mais cresceu no Brasil em qualidade da educação das redes estaduais. Somos o quinto e eu quero colocar em primeiro lugar — projetou Gabriel.
O vice-governador disse que Zucco tem "uma habilidade formidável de misturar convicção com equívoco":
O que disseram os colunistas sobre o debate
— Teu equívoco é enorme quando falas que o Ideb é uma maquiagem. Está desrespeitando não a mim, não ao governador Eduardo Leite, está desrespeitando o professor que está trabalhando, está conseguindo apresentar esses números. Está desrespeitando o diretor, os servidores da escola, os alunos e os seus pais.
O resultado global do Ideb inclui a rede estadual, municipal e federal e as escolas particulares. Isolando-se apenas a rede estadual, o Rio Grande saiu de 13º para 9º lugar nos anos iniciais do Ensino Fundamental, com média 6,4. Nos anos finais, subiu sete posições e ficou em 5º lugar, com média 5,4. E no Ensino Médio ultrapassou nove estados e passou de 14º para 5º lugar, com média 4,7.
Veja outras controvérsias
Inteligência artificial

De todas as perguntas feitas aos candidatos por representantes de entidades, nenhuma teve respostas mais vagas do que a de Marcelo Rech, da Associação Nacional de Jornais (ANJ), sobre o uso da inteligência artificial na administração pública.
Luciano Zucco foi sorteado para responder à pergunta e escolheu Juliana Brizola para debater. Os dois demonstraram profundo desconhecimento do tema.
Assuntos municipais
Falta de creche é um problema do Rio Grande do Sul? Sem dúvida. Mas creche não é responsabilidade do governador. É dos prefeitos.
Há cidades como Erechim, por exemplo, em que não há sequer uma criança na fila esperando vaga em creche. Se aparecer, a prefeitura resolve na hora.
Pró-Hospitais
A afirmação de Juliana Brizola de que é autora do projeto pelo quais as empresas podem destinar até 5% do ICMS devido para hospitais de sua região revoltou o deputado Cláudio Tatsch (PL). Embora a ideia tenha surgido em um projeto protocolado por Juliana quando era deputada, em 2019, o texto aprovado e sancionado do Pró-Hospitais é de autoria de Tatsch e dos deputados Airton Artus (PDT) e Thiago Duarte (hoje no PDT, mas que à época da aprovação do projeto estava no União Brasil).
No debate, o assunto virou um samba de pé quebrado. O Pró-Hospitais não é doação. É imposto devido que, em vez de entrar no caixa único, vai direto para hospitais filantrópicos.
Escola cívico-militar

Juliana Brizola e Luciano Zucco fizeram uma parceria tão azeitada no debate que ficou difícil encontrar alguma divergência substancial entre suas propostas.
A única vez em que um dos dois usou o verbo discordar, referindo-se a uma proposta do outro, foi quando Juliana disse que é contra as escolas cívico-militares, defendidas por Zucco. A aposta dela é nas escolas de tempo integral.
Mudanças climáticas
A despeito das previsões dos cientistas sobre o risco cada vez maior de catástrofes climáticas, no debate da Gaúcha o tema só foi tratado na forma de cobranças dos opositores do governo em relação à aplicação dos R$ 6,5 bilhões e à demora para o início das obras de prevenção às cheias.
Sobre preservação ambiental, nenhuma palavra.
Faltou pegada

Mesmo isolado pelos candidatos Juliana Brizola e Luciano Zucco, Gabriel Souza poderia ter aproveitado melhor o tempo para contestar as críticas dos adversários ao governo do qual participa. E que os partidos de Juliana, Maranata e da vice de Zucco, Silvana Covatti participaram até o início deste ano.
Como o tempo é curto, não pode ser desperdiçado com irrelevâncias, como dizer que Juliana é "sabor PT" ou insinuar que Zucco trabalhou para presidentes do PT quando era militar do Exército.
A pesquisa Quaest mostrou que Gabriel é desconhecido de 73% dos eleitores. Se quer subir nas pesquisas, terá de driblar a timidez e ser mais incisivo nas intervenções.












