
Quem inseriu o nome de Flávio Bolsonaro, com CPF e título eleitoral nos quadros do Missão, partido do candidato Renan Santos? Essa resposta o Tribunal Superior Eleitoral tem condições de dar ao país em poucas horas, sem precisar de um longo inquérito. De imediato, o TSE descartou a possibilidade de o sistema de filiação ter sido hackeado e informou que foi uma pessoa do próprio Missão quem criou a confusão que barrou temporariamente o registro da candidatura de Flávio pelo PL.
Se foi uma molecagem da pessoa credenciada pelo Missão para fazer os registros, o partido mesmo precisa punir, sob pena de recair sobre Renan Santos uma culpa que não é dele. Porque nenhum candidato com dois neurônios seria capaz de imaginar algum benefício ao tentar barrar a candidatura de um adversário usando instrumento tão torpe.
Quem fez a filiação deixou suas digitais. E deu pistas de ser alguém que não gosta do senador do PL, porque cadastrou o endereço como "Rua dos Bandidos, número 666, bairro Miliciano", com um CEP inexistente – o 666 é conhecido na literatura como "o número da besta".
Flávio só se deu conta de que estava na lista de filiados de um partido que não é o dele ao encaminhar o registro da candidatura. Logo saiu gravando vídeo para dizer que o "sistema" tentou barrar sua candidatura, mas que não conseguirá "porque Deus está no comando". Mais uma vez, usou o nome de Deus em vão. Deus não digita nomes no sistema de inclusão de filiados, que é de responsabilidade dos partidos políticos. O TSE fornece as credenciais e os partidos fazem o gerenciamento.
Molecagem semelhante foi feita por alguém com acesso ao sistema do PL em 2024, filiando o presidente Lula ao partido dos Bolsonaro. Não teve consequência porque Lula não era candidato a nada em 2024, mas para quem gosta de semear dúvidas sobre a integridade do sistema eleitoral, pode ser um prato cheio.
Datas a esclarecer
Há uma divergência de datas que merece esclarecimento. Dirigentes do Missão dizem ter notado a inclusão do nome de Flávio Bolsonaro em seus quadros e que tentaram avisar o candidato no dia 2 de agosto. O e-mail ficou sem resposta. Só que no TSE aparece como se Flávio tivesse sido filiado ao Missão em 12 de agosto.
O Missão informou que o pedido de filiação foi feito pela primeira vez em 2 de agosto, e que o processo enviou sete e-mails ao endereço legislativo de Flávio. Inicialmente, o cadastro foi feito com a previsão de contribuição financeira, que não foi paga, e por isso o sistema deu andamento à filiação na modalidade gratuita. Todo o andamento durou 10 dias.
O presidente do TSE, Kássio Nunes Marques, mandou abrir inquérito para identificar o passo a passo da tentativa de fraude. O que já se sabe é que não foi hacker — nem no sistema da Justiça Eleitoral, nem do PL, nem do Missão. Em nota, o TSE afirmou que a filiação foi resultado do "uso indevido da ferramenta por parte de alguém que possuía as credenciais da legenda para efetivar filiações".
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Renan Santos disse que tem provas de que o pedido de filiação partiu de alguém com acesso ao e-mail de Flávio, e não do Missão, e que a pessoa inclusive baixou o aplicativo do partido.
Flávio terá o registro deferido, porque claramente está filiado ao PL no tempo exigido pela legislação eleitoral. Qualquer acusação ao TSE sobre o episódio será factoide, também conhecido como manobra diversionista.
Poucas horas depois de o episódio vir à tona, atendendo a pedido da campanha de Flávio, o próprio ministro Nunes Marques determinou a correção da filiação do senador ao PL.






