
Mesmo considerada uma das melhores áreas do Estado, segundo pesquisa Quaest divulgada em 30 de julho, a educação é tema central dos planos de governo dos quatro candidatos ao Palácio Piratini. Nos documentos entregues ao Tribunal Regional Eleitoral, Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola (PDT), Luciano Zucco (PL) e Marcelo Maranata (PSDB) apresentam uma penca de ideias para aprimorar o aprendizado (veja lista completa no final do texto).
Todos priorizam a aprendizagem na idade certa e estabelecem planos para expandir as escolas em tempo integral. Em consenso, os candidatos também pretendem fortalecer o Ensino Técnico, levando em conta as vocações regionais, para garantir mão de obra qualificada para as demandas de cada parte do Estado.
Combater a evasão escolar também está entre as metas. Tanto Gabriel quanto Maranata propõem aperfeiçoar e expandir o Todo Jovem na Escola, que oferece auxílios financeiros e bolsas. Zucco sugere a integração de dados para identificar precocemente o risco de abandono, enquanto Juliana quer ampliar o uso da busca ativa escolar, estratégia da Unicef para reduzir taxas de desistência e promover reintegração escolar.
Atual vice-governador, Gabriel confia nos programas adotados para a educação e, por isso, a maior parte das suas propostas são relacionadas em fortalecer e ampliar o que já está em andamento. Além disso, promete realizar o que chama de "maior programa de Ensino Técnico da história". Será o Profissão na Mão, que prevê a criação de 80 mil vagas no Ensino Técnico até 2030, com investimento de R$ 600 milhões por ano — recursos que virão da adesão do Estado com o Propag.
Juliana é a única a citar o compromisso com o pagamento do piso nacional do magistério e a investir 25% da receita líquida em educação, como manda a Constituição — apesar do acordo firmado entre governo do Estado e Ministério Público para fazer aumentar o aporte anualmente até atingir o índice, previsto para 2039. Além disso, a pedetista se compromete a implantar gradualmente os Centros Integrados de Educação Pública (CIEPs), conhecidos no Rio de Janeiro como "Brizolões", garantindo educação em tempo integral, alimentação e reforço pedagógico.
Como já anunciou publicamente, Zucco garante no plano de governo que acabará com o mecanismo de progressão parcial, em que o aluno passa de ano mesmo reprovando em até quatro disciplinas — que são recuperadas com aulas de reforço no ano seguinte. No lugar, o candidato do PL promete aperfeiçoar os critérios de recuperação e promoção escolar com intervenções pedagógicas durante o ano. Além disso, Zucco quer ampliar as escolas cívico-militares, priorizando áreas de maior vulnerabilidade e exposição à violência, e os Colégios Tiradentes, administrados pela Brigada Militar.
Maranata tem como meta criar 2 mil escolas empreendedoras no Estado, oferecendo cursos de iniciação profissional, gestão, finanças, tecnologia, cooperativismo e empreendedorismo. Além disso, sugere a criação do programa Férias na Escola, para manter unidades abertas durante os recessos com oferta de alimentação, esporte, cultura e reforço escolar.
Confira as propostas de cada candidato
Gabriel Souza (MDB)
- Alfabetização e Aprendizagem na Idade Certa: Consolidar e ampliar a política estadual de alfabetização em regime de colaboração, com apoio técnico e financeiro aos municípios, garantia de materiais e acompanhamento pedagógico, fortalecendo programas como o Alfabetiza Tchê e desenvolvendo uma política permanente de recomposição da aprendizagem para os anos iniciais do ensino fundamental, com foco nos estudantes e territórios que apresentam maiores desafios.
- Implementar estratégia de fortalecimento da alfabetização matemática junto ao programa Alfabetiza Tchê.
- Fortalecimento do Regime de Colaboração com os municípios, apoiando as gestões municipais na universalização da Educação Infantil e expansão do tempo integral no Ensino Fundamental.
- Ampliar a educação integral nos anos finais do fundamental e Ensino Médio, com foco em permanência, atratividade e aprendizagem, aprofundando a conexão entre formação geral, educação profissional e projeto de vida.
- Aprimorar políticas de transição entre as etapas de ensino, combinando mecanismos de apoio focalizado à permanência para estudantes em situação de maior vulnerabilidade.
- Fortalecimento das Políticas de Desenvolvimento dos Profissionais da Educação e da Gestão Escolar: Implementar uma política permanente de desenvolvimento e reconhecimento dos profissionais da educação, com formação continuada, apoio às lideranças escolares, garantia de condições para o planejamento pedagógico, acompanhamento técnico das escolas e disseminação de boas práticas de gestão e ensino.
- Ampliar programas como o Professor do Amanhã e aprimorar continuamente a formação inicial dos professores.
- Rede Educacional Integrada por Dados, com Fortalecimento das CREs e do Planejamento Territorial: Integrar sistemas e informações essenciais da educação pública, fortalecer o papel das Coordenadorias Regionais de Educação como instâncias de apoio, coordenação e implementação, e ampliar o uso de dados e indicadores na formulação, implementação e monitoramento das políticas educacionais, qualificando o planejamento territorial da oferta escolar.
- Educação para o Futuro: Promover a atualização permanente dos processos de ensino e aprendizagem, incorporando temas como tecnologia, educação financeira, empreendedorismo, cooperativismo, sustentabilidade e competências socioemocionais, preparando os estudantes para as transformações da sociedade e da economia.
- Realizar o Maior Programa de Ensino Técnico da história: por meio da adesão ao Propag, a educação profissional e técnica do Estado será expandida e qualificada, com o desenvolvimento de percursos formativos alinhados às demandas das economias do futuro e às vocações de cada território, em articulação com universidades, setor produtivo e Sistema S, além da ampliação de oportunidades de estágio e de Jovem Aprendiz aos estudantes.
- Incentivo à Iniciação Científica na Sala de Aula: Ampliar o apoio a estudantes e professores da rede pública para participarem de eventos científicos nacionais e internacionais, transformando a cultura científica em política permanente de engajamento e projeto de vida para os jovens gaúchos.
- Cuidado, Convivência e Prevenção no Ambiente Escolar: Fortalecer la política de cuidado e bem-estar nas escolas, com protocolos orientadores, formação de profissionais e rede de apoio para acolhimento, saúde mental e prevenção de situações de risco, fortalecendo as Comissões Internas de Prevenção de Acidentes e Violência Escolar (Cipaves).
- Educação de Jovens e Adultos (EJA) articulada à formação profissional: Ampliar a oferta de EJA com percursos mais adequados à realidade dos estudantes, articulando formação geral e profissional em formatos viáveis para quem trabalha e precisa retomar os estudos.
- Infraestrutura Escolar Resiliente e Inovadora: Dar continuidade à modernização da infraestrutura da rede estadual, ampliando conectividade, acessibilidade, segurança e ambientes de aprendizagem inovadores, incorporando critérios de resiliência às mudanças climáticas e assegurando que todas as escolas ofereçam condições adequadas para o desenvolvimento pleno dos estudantes.
- Valorização da educação indígena e quilombola com qualificação dos espaços escolares e construção colaborativa de currículos que respeitem as especificidades de cada povo.
- Aprimorar as políticas de apoio à permanência dos estudantes, como o Todo Jovem na Escola, a fim de reduzir as taxas de abandono.
Luciano Zucco (PL)
- Consolidar e aperfeiçoar o regime de colaboração com os municípios para assegurar alfabetização, fluência leitora, escrita e aprendizagem adequada em matemática até o final do segundo ano, com metas de equidade, formação, materiais, avaliação e recomposição nos anos seguintes.
- Assegurar a continuidade das aprendizagens com decisões metodológicas claras, identificando as dificuldades existentes nas diferentes áreas do conhecimento, alinhando currículo, materiais, formação, avaliação e tempo pedagógico ao que cada estudante precisa para garantir que o processo de ensino e aprendizagem realmente se efetive.
- Implementar uma política permanente de recomposição e recuperação das aprendizagens, fundamentada em avaliações diagnósticas, formativas e de acompanhamento contínuo. Estruturar estratégias diversificadas, como agrupamentos flexíveis por nível de aprendizagem, tutoria, reforço escolar no turno e no contraturno, planos pedagógicos individualizados e acompanhamento sistemático da evolução dos estudantes. Priorizar o atendimento às escolas, turmas e estudantes com maiores defasagens, considerando critérios de equidade e vulnerabilidade educacional.
- Aperfeiçoar os critérios de recuperação e promoção escolar, assegurando intervenções pedagógicas durante o ano, registro das aprendizagens essenciais e acompanhamento individual quando necessário, sem aceitar aprovação meramente formal nem utilizar a reprovação como resposta automática.
- Aperfeiçoar o SAERS e as avaliações diagnósticas e formativas, garantindo devolutivas rápidas por habilidade, apoio à interpretação dos resultados e planos de intervenção, sem excesso de provas ou uso simplista dos dados para punir escolas e profissionais.
- Estabelecer metas de aprendizagem, frequência, conclusão e redução das desigualdades e apoiar cada escola na execução de plano de ação simples e objetivo, concentrando formação, profissionais, materiais e recursos adicionais nas unidades que mais precisam.
- Qualificar a seleção, a formação e o acompanhamento das equipes diretivas e oferecer aos professores formação prática, suporte pedagógico, materiais, mentoria e melhores condições para ensinar, articulando liderança, gestão de pessoas e desenvolvimento profissional às necessidades das escolas.
- Assegurar formação geral sólida, orientação acadêmica e profissional e trajetórias técnicas de qualidade, expandindo cursos conforme as vocações regionais e integrando escolas, Institutos Federais, Sistema S, universidades e empresas em programas de aprendizagem, estágio e formação prática.
- Ampliar progressivamente a jornada integral e as atividades de contraturno, priorizando estudantes vulneráveis e assegurando proposta pedagógica, recomposição, esporte, cultura, ciência, tecnologia, educação profissional, alimentação, transporte, infraestrutura e avaliação dos resultados.
- Integrar dados de frequência, aprendizagem e trajetória para identificar precocemente o risco de abandono, acionar famílias e redes municipais e remover barreiras relacionadas a transporte, saúde, trabalho, violência, vulnerabilidade social e dificuldades de aprendizagem.
- Estabelecer regras claras e protocolos de prevenção e resposta à indisciplina, ao bullying, ao assédio, à automutilação, às ameaças e à violência, protegendo estudantes e profissionais e articulando educação, saúde, segurança e rede de proteção conforme a natureza de cada situação.
- Ampliar o atendimento educacional especializado, a acessibilidade, a tecnologia assistiva, a formação dos professores e o suporte às escolas, assegurando acompanhamento individualizado e participação efetiva dos estudantes com deficiência, transtornos do desenvolvimento e altas habilidades.
- Integrar plataformas e sistemas, ampliar conectividade, equipamentos, suporte técnico e uso pedagógico responsável da inteligência artificial e simplificar tarefas administrativas, protegendo os dados dos estudantes e preservando a decisão profissional dos educadores.
- Executar planejamento plurianual de manutenção e infraestrutura, priorizando segurança, água, saneamento, climatização, acessibilidade, cozinhas, bibliotecas, laboratórios, quadras e continuidade do atendimento durante emergências, com autonomia responsável para pequenos reparos.
- Ampliar a cooperação entre Estado e municípios na educação, fortalecendo o apoio técnico às redes municipais, a formação continuada dos profissionais e o compartilhamento de materiais didáticos e pedagógicos. Promover ações integradas, respeitando a autonomia de cada rede e somando esforços para melhorar a aprendizagem dos estudantes em todo o Rio Grande do Sul.
- Valorizar e fortalecer a formação inicial de professores no Rio Grande do Sul, qualificando a oferta do Curso Normal (Magistério) e ampliando o papel da UERGS na formação docente, em articulação com as necessidades das redes públicas de ensino e com foco na prática pedagógica e na aprendizagem dos estudantes.
- Ampliar o modelo de Escolas Cívico-Militares, conforme a demanda dos municípios e das comunidades escolares, priorizando áreas de maior vulnerabilidade e exposição à violência. Expandir também a oferta dos Colégios Tiradentes, levando o modelo a novas regiões do Estado.
Juliana Brizola (PDT)
- Implantar gradualmente os CIEPs, com educação em tempo integral, alimentação, reforço pedagógico, cultura, esporte, tecnologia e apoio socioemocional.
- Assegurar o cumprimento do piso constitucional da educação, destinando recursos à recuperação da infraestrutura e à modernização das escolas.
- Restabelecer a gestão democrática das escolas, com autonomia da comunidade escolar, eleição de diretores e fortalecimento dos Conselhos Escolares e Grêmios Estudantis.
- Firmar com os 497 municípios o Pacto Gaúcho pela Alfabetização e Educação Básica.
- Ampliar a Educação de Jovens e Adultos (EJA) e a Busca Ativa Escolar.
- Fortalecer as escolas do campo, das águas e das florestas.
- Garantir transporte escolar público, gratuito e seguro aos estudantes da zona rural.
- Reconstruir as carreiras da educação, garantir o Piso Nacional do Magistério e realizar concursos públicos, além de criar uma Rede Gaúcha de Formação Docente Continuada e fortalecer a UERGS.
- As escolas técnicas serão reestruturadas na rede IERS – Institutos Estaduais de Educação Profissional, articuladas às vocações econômicas regionais e à transição ecológica.
- Avançar na conectividade universal, inclusão digital, educação especial e educação antirracista, incorporando também educação ambiental, prevenção de desastres e resiliência climática.
- Ampliar as Salas de Recursos Multifuncionais e os profissionais de apoio, valorizadas as comunidades tradicionais e assegurado o acesso às tecnologias com soberania de dados.
- Elaborar um Plano Estadual de Educação Pública decenal em consonância com o novo Plano Nacional de Educação, construído com participação da comunidade educacional e da sociedade civil.
Marcelo Maranata (PSDB)
- Modernizar os ambientes escolares, com bibliotecas atrativas, laboratórios, espaços de leitura, conectividade, recursos digitais, áreas esportivas e ambientes adequados à aprendizagem por projetos.
- Fortalecer e ampliar o Sistema Estadual de Bibliotecas Escolares e as políticas de leitura, articulando-as ao Alfabetiza Tchê, com metas anuais por escola, formação de mediadores, atualização dos acervos, clubes de leitura, feiras literárias regionais e acompanhamento da proficiência leitora.
- Fortalecer e institucionalizar equipes permanentes de busca ativa escolar, integradas às estratégias do Todo Jovem na Escola e articuladas com escolas, assistência social, saúde, conselhos tutelares e municípios para identificar, localizar e reintegrar estudantes evadidos.
- Ampliar e aperfeiçoar o programa Todo Jovem na Escola, preservando bolsas vinculadas à permanência escolar, frequência, participação e evolução acadêmica e priorizando estudantes em situação de vulnerabilidade.
- Criar o programa Férias na Escola, mantendo unidades selecionadas abertas durante os recessos para oferecer alimentação, esporte, cultura, reforço escolar, tecnologia e atividades de convivência.
- Ampliar o ensino em tempo integral de forma gradual e responsável, começando pelos territórios de maior vulnerabilidade.
- Criar o programa Escola de Empreendedores, em bairros e municípios, com cursos de iniciação profissional, gestão, finanças, tecnologia, cooperativismo e empreendedorismo. A meta aqui é bem objetiva: criar 2 mil escolas empreendedoras.
- Formar parcerias com o Sebrae, Senai, Senac, universidades, institutos federais, cooperativas, indústrias, igrejas, CTGs e organizações comunitárias, respeitando a laicidade do Estado e critérios públicos de seleção.
- Integrar o Ensino Médio e a educação profissional às vocações econômicas de cada região, aproximando escolas, empresas e centros tecnológicos.
- Ampliar o Partiu Futuro: Jovem Aprendiz Escolas Técnicas e integrá-lo a programas de estágio, aprendizagem e primeiro emprego, com prioridade para estudantes da rede pública.
- Criar incentivos para a atração e permanência de professores em áreas de difícil provimento.
- Utilizar dados individualizados de aprendizagem para identificar defasagens e oferecer recuperação durante o ano letivo.

