
Os oito pré-candidatos de partidos com representação no Congresso que disputam as duas cadeiras do Rio Grande do Sul no Senado tiveram, nesta segunda-feira (20), uma oportunidade de mostrar o que têm a oferecer aos eleitores. No debate da Fecomércio — assim chamado, mas que na prática foi um painel —, ficou evidente que há candidatos de uma nota só, como o sambinha de Antônio Carlos Jobim: "Eis aqui este sambinha feito numa nota só":
Outras notas vão entrar, mas a base é uma só / Esta outra é consequência do que acabo de dizer / Como eu sou a consequência inevitável de você
A "nota só" em questão, no caso dos candidatos ao Senado, é o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal. Da apresentação à despedida, Marcel van Hatten (Novo), Ubiratan Sanderson (PL), Miton Cardoso (PSDB) e Renato Jaguarão (Cidadania) usaram a cassação dos membros do STF como panaceia para resolver os principais problemas do país. Boa parte do tempo foi gasta com críticas ao governo federal, ao Judiciário e ao Congresso
Van Hattem sofisticou a resposta usando a expressão "reequilíbrio entre os poderes" para defender o afastamento de ministros, a começar por Alexandre de Moraes, alvo preferencial dos quatro, mas com citações a Dias Toffoli e Gilmar Mendes.
A palavra mais próxima do consenso entre os oito pré-candidatos foi protagonismo. De uma ou de outra forma, todos reconhecem que o Rio Grande do Sul perdeu protagonismo no Senado, mas a forma de retomá-lo divide os candidatos. Manuela D'Ávila (PSOL) ampliou o conceito de protagonismo apresentando, desde a primeira intervenção as pautas, que pretende abraçar se for eleita, incluindo a restrição à propaganda de bets e políticas de combate ao feminicídio, que não estavam no documento da Fecomércio.
Paulo Pimenta (PT) começou falando do que o governo federal fez pelo Rio Grande do Sul e do seu trabalho como ministro da Reconstrução. Foi o único que citou seu candidato a presidente, Lula. Disse que é do PT mas, se for eleito, será "o senador do Rio Grande do Sul".
O ex-governador Germano Rigotto (MDB) também mencionou que os senadores devem votar o impeachment de ministros do Supremo, se ficar provado que cometeram crime de responsabilidade, mas disse que mais importante é mudar o sistema atual de escolha e a lei que dá aos presidentes da Câmara e do Senador o poder de engavetar requerimentos.
Rigotto e Frederico Antunes (PSD), seu companheiro de chapa, concordaram que para ter protagonismo é necessária capacidade de diálogo e de articulação. Frederico ilustrou com o exemplo da criação dos free shops terrestres, no lado brasileiro, que se tornaram lei graças a uma articulação dele com o então presidente da Câmara, Marco Maia (PT).
A título de curiosidade, o Samba de uma nota só diz em outro trecho:
Quanta gente existe por aí que fala, fala e não diz nada / Ou quase nada / Já me utilizei de toda escala, no final não deu em nada / Não sobrou nada


