
Acabar com o medo das pessoas em relação ao clima será o cerne do plano de governo de Marcelo Maranata, que concorrerá ao Palácio Piratini pelo PSDB. Com o texto do programa já finalizado, o pré-candidato diz ter percorrido mais de 25 mil quilômetros nas últimas semanas e avalia que, sem garantir segurança às pessoas, não será possível avançar no desenvolvimento econômico do Estado.
Sob coordenação do jornalista Gustavo Ferenci, atual secretário de Transparência e Controladoria na prefeitura de Canoas, o programa tucano foi baseado em experiências observadas na Catalunha, na Espanha, e em Medellín, na Colômbia. A construção levou em conta os anseios da comunidade relatados ao próprio Maranata, que fez questão de estar na rua conversando com as pessoas.
A partir da preocupação constante com novas enchentes, a equipe em torno de Maranata compreendeu a necessidade de garantir um ambiente seguro tanto à população, quanto às empresas interessadas em investir no Rio Grande do Sul. Somente dessa forma, na avaliação de Ferenci, será possível garantir melhorias em áreas como saúde, educação e segurança pública.
— Não tínhamos noção do medo que as pessoas têm. Identificamos como premissa que os gaúchos precisam parar de ter medo da natureza, medo de ficar em casa no temporal. Nosso foco seria equilíbrio fiscal, mas tem um passo anterior, que é garantir a segurança para as pessoas. Precisamos melhorar saúde, educação, mas antes disso tem a atenção climática. Não adianta querer resolver problemas complexos e históricos com soluções mágicas e fáceis — explica.
O plano de Maranata reúne cerca de 200 propostas para serem executadas a curto, médio e longo prazos, oferecendo tanto medidas imediatas quanto ações pensadas até 2050. São 17 eixos de atuação, com foco em três estratégias transversais: o RS que cuida das pessoas, que engloba medidas de saúde, educação e desenvolvimento econômico; o RS competitivo, inovador e seguro, com foco em ampliar o uso de tecnologia no policiamento; e o RS eficiente e transparente, garantindo um processo de governança, ajuste fiscal e combate ao desperdício de dinheiro público.
A estratégia planeja criar um ambiente para que as pessoas fiquem no Estado e para que as empresas tenham confiança de investir no Rio Grande do Sul. Para isso, Ferenci reuniu o material que Maranata coletou nos diálogos com a população e as demandas das entidades setoriais em um plano "conectado" com a comunidade.
— Se as pessoas têm medo pela sua segurança pessoal, o empresário tem medo de investir, e isso vira um ciclo vicioso complexo. Entendemos nesse processo, o que foi surpreendente, o quanto isso é importante para o desenvolvimento econômico — avalia o coordenador.
Mesmo com o texto finalizado, a coordenação do plano vai esperar mais alguns dias até apresentar as propostas. A ideia é poder agregar eventuais mudanças e novas contribuições mesmo após a convenção do PSDB, marcada para 31 de julho.
Os planos de governo têm de ser registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como pré-requisito para que as candidaturas sejam validadas. O documento funciona como a primeira oportunidade de os candidatos apresentarem suas propostas e prioridades ao eleitor.
Nos últimos dias, a coluna apresentou detalhes dos planos de governo de Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola (PDT) e Luciano Zucco (PL), contemplando todos os principais candidatos ao governo do Estado.





