
Com a avaliação de que o Estado enfrenta uma "letargia", o plano de governo de Juliana Brizola, pré-candidata do PDT ao governo do RS, aposta em um formato participativo. Formulado a partir de 35 grupos temáticos, com mote de colocar as pessoas no centro das decisões, o texto está sob revisão final antes de ser apresentado a Juliana e o vice, Edegar Pretto (PT), durante um seminário no próximo sábado (18).
Prevendo uma "mudança revolucionária" na construção do programa de governo, o coordenador do plano pedetista, Paulo Burmann, explica que o principal aspecto do documento será sua estrutura, que vai tratar as diferentes áreas como um conjunto integrado. A avaliação é de que não é possível garantir melhorias na segurança pública sem que haja avanços na saúde e na educação, por exemplo, e vice-versa.
O plano também irá contemplar uma projeção de desenvolvimento econômico e social do Estado, para "abater a letargia" que recai sobre o Rio Grande do Sul nas últimas décadas, na avaliação de Burmann. Mesmo que haja preocupação sobre as contas do governo estadual nos próximos anos — sem ativos e fundo da reconstrução e com dívidas a pagar —, o texto deve garantir que o crescimento da arrecadação se dará a partir da produção, e não do aumento de impostos.
— Não será um plano que vai se basear numa retórica como nós conhecemos. Estamos montando uma estrutura forte para que tudo seja viável, exequível, que impacte no futuro do Estado. As coisas têm que andar numa transversalidade construtiva. Se não fizermos uma mudança revolucionária em termos de plano de governo, não vamos avançar, vamos seguir empurrando as coisas para frente. Estado tem potencial gigante e precisa de uma gestão que proporcione isso.
A construção das propostas que estarão no plano pedetista foi feita por quase 400 pessoas, que participaram das discussões divididas em 35 grupos temáticos. Nos últimos três meses, estas equipes realizaram reuniões setoriais para discutir prioridades e colher sugestões, agregando as participações nas caravanas do programa Coração Gaúcho, que percorreu o Interior para discutir o futuro do Estado.
Neste momento, os relatórios produzidos pelos grupos temáticos estão sendo revisados, e depois serão integrados para constituir o plano de governo. Depois do seminário com Juliana e Edegar no sábado, serão feitos os ajustes finais no texto até a entrega oficial do plano aos pré-candidatos da majoritária, em 24 de julho, véspera das convenções de PDT e PT.
— O plano terá uma estrutura bem consistente. Posso garantir que não será um plano de governo de gaveta, é um plano que de fato projeta o futuro governo do Rio Grande do Sul. É um grande desafio, é um compromisso sério — projeta Burmann.
Os planos de governo têm de ser registrados no Tribunal Superior Eleitoral como pré-requisito para que as candidaturas sejam validadas. O documento funciona como a primeira oportunidade de os candidatos apresentarem suas propostas e prioridades ao eleitor.
Na segunda-feira (13), a coluna apresentou detalhes do plano de governo de Gabriel Souza (MDB). Nos próximos dias, a coluna será a vez de Luciano Zucco (PL) e Marcelo Maranata (PSDB).



