
Faltando alguns dias para o início da campanha nas ruas, a candidata do PSOL ao Senado, Manuela D'Ávila, foi surpreendida com um adesivo utilizado por Luciano Zucco, que disputará o Palácio Piratini pelo PL, e por outros candidatos da direita. O selo "anti-Manu" foi criado por Júlia Zardo, candidata a deputada federal do Novo, e distribuído a apoiadores e outros candidatos nas convenções do final de semana e em eventos na semana passada.
Além da frase "anti-Manu", destacando o pronome "ela", que também é o complemento do nome, o adesivo mostra o rosto da ex-deputada com um "X" marcado por cima. No debate da Federasul, na última quarta-feira (22), dia da convenção do PL, Júlia e outros militantes da direita já exibiam o selo colado por cima da roupa. Durante a convenção do Novo, no sábado, o item se espalhou e chegou a Zucco.
No Instagram, nesta segunda-feira (27), Manuela postou foto do candidato do PL usando o adesivo e escreveu uma espécie de carta na legenda. No texto, a candidata diz que ficou afastada da política pelos ataques que recebeu e questiona se esse será o tom da próxima campanha no Estado.
"O adesivo fala por si. O sorriso do candidato fala por si. São tantas as violências presentes nessa imagem que me dou o direito de não descrevê-las. Vocês podem senti-las. Eu sei. Vivo em um estado que é campeão de feminicídios de mulheres que haviam buscado proteção. Marcar o rosto de uma de nós — de qualquer uma de nós — é um recado claro para todas nós. É assim que será a disputa eleitoral no Rio Grande do Sul?", indaga a candidata.
Na sequência do texto, Manuela se dirige diretamente a Zucco, lembrando que os dois estiveram juntos apenas uma vez, durante a procissão da igreja que ela frequenta, e faz um apelo ao candidato.
"Lembro de ter conversado com sua filha e comentado que ela tinha idade parecida com a da minha. Tente explicar a ela o adesivo no seu peito. Na noite passada, eu tive que explicar à minha. Se o senhor conseguir olhar nos olhos da sua filha e dizer que esse é o caminho correto para defender a vida das mulheres e das meninas, siga estampando no peito meu rosto feito alvo", desabafa.
"Jogo sujo"
Na publicação, Manuela omitiu o nome de Júlia Zardo do adesivo usado por Zucco, na foto, e também não faz referência a ela no texto. A candidata do Novo criticou a publicação, afirmando que Manuela faz "jogo sujo" com os eleitores.
"Agora ela apagou meu nome do adesivo de pré-campanha para se fazer de coitadinha. É por isso que somos todos anti Manuela, porque ela representa tudo aquilo que combatemos e que vamos, juntos, derrotar nestas eleições", escreveu a candidata, na publicação que é compartilhada em perfis de apoiadores de Zucco e de Marcel van Hattem, candidato ao Senado pelo Novo — que não usou o adesivo na convenção.
À coluna, a assessoria de Manuela explicou que apagou o nome da pré-candidata porque "embora o adesivo seja produzido por alguém que deseja fazer do ódio trampolim, o que chama atenção é um candidato ao governo usá-lo, legitimando tal estratégia".
Em nota, o coordenador político da pré-campanha de Zucco, Everton Braz, endossa a manifestação de Júlia, afirmando que o adesivo se trata de uma "crítica política" às ideias defendidas por Manuela.
"Manuela, mais uma vez, não demonstra respeito com uma mulher de direita. Julia Zardo já esclareceu que se trata de uma crítica política às ideias que Manuela D’Ávila representa. As críticas são mais brandas do que a própria Manuela costuma fazer aos seus adversários, inclusive mulheres que não são do seu campo político. Transformar esse episódio em uma acusação de misoginia, usando uma outra mulher, é querer fazer narrativa manipulatória e não aceitar crítica política", diz trecho.


