
Depois de levar um carão da senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura de Jair Bolsonaro, o candidato do PL a presidente, Flávio Bolsonaro, sofreu nesta quarta-feira (22) um golpe que fragiliza ainda mais seu projeto político. O presidente do PP, Ciro Nogueira, comunicou ao senador que seu partido e o União Brasil ficarão neutros na eleição presidencial.
Além do significado simbólico, de isolamento, existe o efeito prático. Sem aliados, diminui o tempo do candidato na propaganda de rádio e TV e a campanha perde capilaridade.
Há ainda um problema adicional. Mesmo que a decisão do PP e do União seja a neutralidade, os deputados e senadores ficam liberados para apoiar outros candidatos, o que em alguns Estados inclui o presidente Lula.
No Rio Grande do Sul, o PP integra a coligação de Luciano Zucco e a maioria — salvo algum fato novo — apoia a candidatura de Flávio a presidente. Mas, como há prefeitos dissidentes ligados a Ernani Polo (PSD) prometendo votar em Gabriel Souza (MDB), é possível que Ronaldo Caiado (PSD) herde votos de eleitores que seriam de Flávio.
Caiado disse à coluna que em suas incursões pelo interior do Estado percebeu um enfraquecimento do bolsonarismo, até porque Flávio não tem a mesma força do pai.
Sem o PP e o União Brasil, Flávio segue tentando atrair o Republicanos, mas esbarra na resistência do seu presidente nacional, Marcos Pereira. Caso não consiga o apoio do Republicanos, o PL terá de encontrar um(a) candidato(a) a vice em suas próprias fileiras. A mais cotada é a deputada catarinense Júlia Zanatta, que, pelo perfil, não acrescentaria um voto que já não seja de Flávio. O mesmo pode ser dito da outra opção, a deputada Bia Kicis.
Para complicar ainda mais a vida de Flávio, nesta quarta-feira o site Metrópoles publicou informações de que sua empresa emitiu três notas fiscais, no valor total de R$ 1,5 milhão, para empresas de fachada ligadas a Daniel Vorcaro. Duas dessas notas foram canceladas logo depois da emissão.

