
A cheia dos rios Taquari e Caí, que deixou pessoas desabrigadas nesta quarta-feira (22), mostrou que os sistemas de previsão e monitoramento do governo do Estado precisam ser aprimorados. Até a véspera, a Defesa Civil informava que não havia risco de alagamento. Nesta manhã, foi preciso acionar o sinal sonoro de alerta nos telefones de quem estava no Vale do Taquari para avisar que, sim, era preciso sair de áreas ribeirinhas.
Pegos de surpresa, moradores de algumas regiões precisaram usar barcos para sair de casa. Em outras, foi possível retirar móveis e eletrodomésticos de caminhão para evitar que fossem levados pela água.
O coordenador da Defesa Civil, coronel Luciano Boeira, reconheceu que nas cabeceiras dos rios choveu além do previsto nos modelos meteorológicos, provocando a elevação súbita dos níveis do Taquari e do Caí. A chuva bem acima da média estava nas previsões da Defesa Civil desde a metade da semana passada, quando passaram a ser divulgados alertas para fenômenos climáticos extremos, sobretudo na Fronteira Oeste, Zona Sul e Campanha.
Com a cheia repentina do Taquari e do Caí, será preciso o governo rever pontos do seu plano de contingência. É fato que houve acerto na maioria das previsões, mas essa não estava no radar. Tanto é que o governador Eduardo Leite publicou um vídeo dizendo que não havia risco de alagamento e precisou apagá-lo.
O que estamos assistindo neste final de julho é uma amostra do que o El Niño pode trazer para o Rio Grande do Sul nos próximos meses. Os meteorologistas dizem que o pior ainda está por vir. São especialmente preocupantes os meses de setembro de outubro.




