
Nos últimos meses, a pergunta que o governador Eduardo Leite, seus secretários e prefeitos de cidades afetadas pela enchente de 2024 mais ouviram foi se o Estado e os municípios estão mais preparados para uma nova catástrofe climática. O "sim" é uníssono, o que não é difícil de entender.
Qualquer coisa é melhor do que o cenário de maio de 2024, quando a chuvarada pegou a todos desprevenidos, a despeito do alerta dado pelos meteorologistas em setembro de 2023, quando o Vale do Taquari foi devastado por uma enchente que deixou mortos, feridos e desabrigados.
O que melhorou a olhos vistos é o sistema de previsão e os alertas meteorológicos. Saber antes pode ser a diferença entre viver e morrer levado pela correnteza. Saber antes reduz os riscos de sermos atingidos por um temporal na rua. Informação é importante e nisso certamente evoluímos.
As previsões de um Super El Niño que começará a dar as caras nesta sexta-feira (17) e terá chuva acima da média ao longo dos próximos dias são preocupantes. Há risco de microexplosões, como a que passou pelo Parque Eldorado há uma semana, com chuva de granizo e uma ventania que derrubou árvores, telhados e casas e deixou mais de 500 desabrigados.
Não há como evitar uma ventania. O que a Defesa Civil fez foi preparar seus estoques de lonas, roupas e mantimentos e cobrar planos de contingência dos prestadores de serviços de água, luz e comunicações. Todos informam ter reforçado equipes para atuar nas áreas que vierem ser atingidas, porque ninguém sabe com precisão onde o raio cairá desta vez.
Sabe-se que o Estado inteiro, assim como partes do Paraná e de Santa Catarina, estará vulnerável. A Defesa Civil também está preocupada com a possibilidade de cheia dos rios, com a previsão de acumulados de até 300 milímetros. Parte das prefeituras conseguiu retirar os moradores das áreas de risco, sobretudo no Vale do Taquari, mas ainda há cidades com pessoas vivendo próximas de encostas que correm o risco de desmoronar.
Aliás
O que ninguém está preparado é para uma enchente das proporções de 2024. Para tanto, precisariam ter sido executadas obras estruturais que estão em fase de projeto e que não devem ficar prontas antes de 10 anos, mesmo com os R$ 6,5 bilhões depositados pelo governo federal e que estão rendendo juro e correção monetária.





