
A portas fechadas, a direção da Fiergs sabatinou os três pré-candidatos ao governo do Estado mais bem colocados nas pesquisas. Em encontros individuais, Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola (PDT) e Luciano Zucco (PL) responderam as questões elaboradas pelos líderes industriais gaúchos.
O primeiro a entrar no auditório da Fiergs, por volta das 16h de terça-feira (7), foi Gabriel Souza. A primeira pergunta endereçada ao emedebista, e depois repetida aos demais, questionou se os pré-candidatos apoiam a criação do Fundo Constitucional do Sul e Sudeste. Elencando argumentos, Gabriel, Juliana e Zucco responderam "sim" para a pauta definida como prioritária para a Fiergs.
Além da série de perguntas iguais, a Fiergs também preparou uma questão específica para cada pré-candidato, considerando a trajetória e o posicionamento das candidaturas em temas espinhosos.
Para Zucco, a pergunta particular envolveu o voto favorável à proposta que acaba com a escala 6x1 na Câmara dos Deputados. A Fiergs, que é contrária à medida, pediu que o pré-candidato explicasse o seu posicionamento. Zucco argumentou que votou "sim" para esta PEC na expectativa de que outra proposta, que institui o regime de trabalho baseado em horas trabalhadas, também avançasse em paralelo.
Para Juliana, a questão específica envolveu o comando de seu governo e a gestão dos partidos aliados de esquerda. Na resposta, a pedetista se apresentou como uma política de centro-esquerda, que carrega o histórico do trabalhismo e que um eventual governo será comandado pelo PDT, e não por outras legendas. Juliana fez referência ao legado do partido, citando o ex-governador Leonel Brizola e o ex-presidente Getúlio Vargas.
Para Gabriel, a pergunta remeteu à tentativa de aumento de ICMS de alguns itens durante o governo Eduardo Leite e a perspectiva tributária para a próxima gestão. O emedebista se comprometeu a não aumentar impostos, e argumentou que a medida apresentada por Leite visava ampliar os recursos para o Estado diante das regras de transição da reforma tributária, lembrando que a média de arrecadação neste período servirá de base para definir os recursos dos Estados nos próximos anos.
Avaliação positiva
O encontro foi considerado positivo pela entidade, que não observou momentos de conflito com os pré-candidatos, que saíram aplaudidos. O apoio unânime dos três ao projeto de ampliação fabril da CMPC em Barra do Ribeiro agradou aos líderes da Fiergs.
Com permissão para levarem um acompanhante apenas, Juliana Brizola foi a única que não estava ao lado do vice, Edegar Pretto (PT), e chegou ao encontro acompanhada do ex-deputado Vieira da Cunha (PDT), seu coordenador de campanha. Gabriel e Zucco foram acompanhados dos vices, Ernani Polo (PSD) e Silvana Covatti (PP).
PSDB criticou ausência
Pelo critério adotado pela entidade, Marcelo Maranata (PSDB) ficou de fora dos encontros. Em nota, o presidente estadual do partido, Moisés Barboza, manifestou "profunda indignação" com a decisão da entidade, alegando que a Fiergs foi a única até agora a utilizar o formato de escolha — outros debates e sabatinas levaram em conta a representatividade dos partidos na Câmara dos Deputados.
"A entidade realizou pesquisa própria para fundamentar sua decisão? Quais critérios foram adotados para definir quais levantamentos seriam considerados válidos? Também causa estranheza o fato de que a história política do Rio Grande do Sul registra diversos governadores eleitos que, neste mesmo período do calendário eleitoral, não lideravam as pesquisas de intenção de voto", questionou Moisés.




