
Após o racha na família Bolsonaro, com direito ao vídeo de Michelle relatando que se sentiu humilhada pelos irmãos Flávio e Eduardo, o patriarca assinou uma carta tentando colocar panos quentes na situação. Da sua casa em Brasília, onde cumpre prisão domiciliar, Jair Bolsonaro afirmou que o momento é de "deixarmos de lado as possíveis diferenças" e reforçou que seu pré-candidato à Presidência é Flávio Bolsonaro, afastando as especulações de que a esposa poderia assumir a campanha do PL.
O conteúdo da "carta aos brasileiros" foi divulgado por Flávio nas redes sociais, no início da tarde de sábado (11). O filho mais velho dos Bolsonaro publicou foto do documento, escrito à mão pelo pai, e também o conteúdo em transmissão ao vivo.
"O momento é de arregaçar as mangas, deixarmos de lado as possíveis diferenças, e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, a melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violência e empobrecimento. Meu pré-candidato, creio o seu também, meu porta-voz no qual confio para resgatar o Brasil e nos conduzir para a paz e a prosperidade", diz trecho.
Cerca de duas horas depois, o adversário na corrida presidencial e até então aliado da família, Ronaldo Caiado (PSD), ironizou a carta:
"Flávio Bolsonaro, 45 anos, leu uma carta do pai ao vivo pra dizer que tá pronto pra ser presidente. É isso…", escreveu o ex-governador de Goiás no seu perfil do X.
"Porque um candidato à Presidência precisa provar que decide sozinho nos momentos mais duros. O eleitor não quer um presidente que precise de aval constante de outra liderança; quer alguém capaz de conduzir o país por conta própria. Pense numa crise envolvendo Venezuela, Bolívia ou Argentina. Nesse momento, ninguém pode ter dúvida sobre quem manda, muito menos imaginar que o presidente precisa primeiro ouvir alguém antes de agir. Esse contraste entre autonomia e dependência pode virar um eixo central do debate. Porque, numa eleição presidencial, liderança não se herda, se demonstra", completou Caiado, em segundo post na rede social.
Em entrevista a jornalistas em São Paulo, já à noite, Caiado reconheceu a força política de Jair Bolsonaro, a quem não pretendia criticar nas suas manifestações, mas considerou a carta como um "sinal de extrema fragilidade na campanha" de Flávio.
— Nós sabemos muito bem que um pai não nega um pedido de um filho. Agora, você tem que estar preparado para governar, para presidir. Você não pode recorrer, a cada crise, a uma carta de seu pai. Você tem que ter uma estrutura política, uma estabilidade emocional e uma capacidade de superar as crises que venham a acontecer — disse o pré-candidato do PSD.


