
Reintegrado ao Democracia Cristã após divergências internas, o ex-ministro Aldo Rebelo mantém esperança de que será confirmado como candidato à Presidência na convenção do partido.
Há cerca de dois meses, Rebelo entrou em rota de colisão com a legenda após o convite para Joaquim Barbosa, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, concorrer no seu lugar.
Rebelo criticou a condução do presidente do DC, João Caldas da Silva, no convite feito a Barbosa. Em resposta, a direção executiva do partido resolveu expulsá-lo por unanimidade. Rebelo relatou ter tomado conhecimento da decisão pela imprensa e levou a situação para a Justiça, que entendeu que o partido não seguiu os trâmites previstos no regimento interno e autorizou que ele voltasse ao partido e participasse da convenção.
— A situação está judicializada, porque fui convidado para ser pré-candidato. Depois, o presidente do partido convidou o ministro Joaquim Barbosa achando que meu desempenho era frágil, como de fato era, assim como todos os outros. Mas até hoje ele não confirmou, pelo contrário, está no noticiário que ele teria desistido. Eu judicializei, ganhei na Justiça o direito de ir para a convenção e continuo fazendo minha pré-campanha — explicou Rebelo, palestrante do Tá Na Mesa da Federasul, em Porto Alegre, nesta quarta-feira (15).
Na pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta, Rebelo sequer figura entre os candidatos questionados. O levantamento considerou Joaquim Barbosa como postulante do DC na corrida presidencial, que chegou a 1% no cenário estimulado de primeiro turno.
Ficha técnica
A pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira (15), foi encomendada pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 pessoas, com 16 anos ou mais, entre os dias 10 e 13 de julho, por meio de entrevistas pessoais, domiciliares e presenciais. A margem de erro é de dois pontos porcentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O registro da pesquisa no TSE é BR-07181/2026.
País "interditado"
Na Federasul, Rebelo classificou o Brasil como um "país interditado", com críticas ao excesso de burocracia e judicializações para emissão de licenciamentos, o que estaria afastando investidores. Além disso, o ex-ministro considera que o país perde a oportunidade de explorar recursos naturais e terras raras para ampliar a arrecadação e garantir um crescimento econômico.
— O país está quebrado, é preciso desinterditar para receber os investimentos que podem mover a atividade econômica e criar as receitas para o país sair da quebradeira. Não é falta de capital, tem disponibilidade, investidores. Para uma única mina operacional de terras raras, os americanos pagaram R$ 14 bilhões. Agora, nada disso pode ser licenciado porque já tem parecer que mexer nessas terras vai afetar a população indígena. Quando eu digo interditado é porque o país está proibido de crescer e de investir.

Entre as entidades que Rebelo entende que contribuem para a "interdição" do país, estão IBama, Funai, parte do Ministério Público e o Ministério do Meio Ambiente.
— Funai, Ibama, têm papel importante, mas não podem decidir em nome do país porque não têm maturidade para isso. Vamos criar uma autoridade única de licenciamento. A atividade econômica vai elevar a renda das pessoas, criar empregos qualificados, tudo isso tem que estar no licenciamento.
Rebelo também defendeu que o país avance na extração de petróleo, que pode, segundo o pré-candidato, resultar num faturamento de até US$ 100 milhões por dia somente com a perfuração da Margem Equatorial, no Amapá. Autorizada pelo Ibama exclusivamente para pesquisa exploratória, a medida é duramente criticada por ambientalistas, que avaliam ser um incentivo ao uso de energias fósseis em detrimento das fontes renováveis.
— O chinês e o americano estão atrás de combustíveis fósseis. Claro que também querem energia eólica, solar, não sei de que, mas é o petróleo fundamentalmente que eles querem. Nós precisamos considerar que a agenda do meio ambiente é importante, mas essa não é a agenda do mundo, ela é imposta para nos bloquear.
Outro ponto crítico na avaliação do pré-candidato do DC e a falta de investimentos em infraestrutura no Brasil, citando especificamente a ausência de ligações ferroviárias entre as diversas regiões do país.


