
O filme sobre a vida de Jair Bolsonaro chama-se Dark Horse, expressão idiomática que em português equivale a “azarão”, aquele cavalo no qual ninguém aposta e que vence uma carreira improvável. A eventual cinebiografia de Flávio Bolsonaro poderia se chamar Unlucky, ou "Azarado". Porque, por linhas tortas, o presidente Donald Trump deu combustível à campanha do presidente Lula pela segunda vez com a conclusão do estudo feito por seu governo, recomendando a taxação de 25% para parte das exportações brasileiras.
Flávio, que imaginava estar ganhando de 2x0, por ter conseguido uma foto com Trump na Casa Branca e por ganhar de presente a classificação do Comando Vermelho e do PCC como organizações terroristas, sofreu uma virada nesta terça-feira (2). Uma virada que o coloca outra vez na defensiva, graças ao comportamento imprevisível de Trump.
Flávio, o irmão Eduardo e o blogueiro Paulo Figueiredo comemoraram cedo demais o sucesso da incursão pela Casa Branca. No primeiro momento, parecia que a visita se esgotaria na foto protocolar com Trump e a coluna cometeu esse erro de avaliação, induzida pela falta de um comentário do presidente dos Estados Unidos em sua rede social.
Quando o secretário de Estado, Marco Rubio, anunciou a classificação das duas maiores facções criminosas do país como organizações terroristas, Flávio ganhou discurso, já que o governo brasileiro era contra. O senso comum acredita que estará mais seguro em território brasileiro com essa designação, apesar de especialistas em segurança pública apontarem o contrário.
O problema de Flávio é que uma semana depois veio a nova ameaça de tarifaço, que Lula tratou de debitar na conta dos filhos de Jair Bolsonaro, a quem chama de traidores da Pátria.
Como os Estados Unidos apontam o nosso querido Pix como um dos motivos para sugerir o tarifaço, a ligação com Trump passou de trunfo a mico. E Lula correu a dizer que está disposto a negociar taxas com o governo dos Estados Unidos, mas o Pix é inegociável. E ressuscitou o discurso da soberania, usado no tarifaço anterior (que caiu por determinação da Justiça americana) e responsável pela recuperação de parte da popularidade perdida.
O azar de Flávio é que só hoje Trump resolveu falar da visita. Postou foto na rede social e elogiou o filho de Bolsonaro, a quem chamou de um "jovem inteligente que ama muito o seu país". Não associou Flávio a uma decisão nem outra, mas a associação tornou-se inevitável. Tanto que o próprio senador correu a encaminhar carta ao governo dos Estados Unidos pedindo que não aplique o tarifaço de 25%.
Aliás
Tão logo foi divulgada a proposta de uma nova retaliação comercial dos Estados Unidos contra o Brasil, sinalizada por investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) concluída na segunda-feira (1º), a medida foi apelidada de "TariFlávio".





