
O jornalista Henrique Ternus colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
Terceira entidade a promover debate entre os pré-candidatos a governador (as primeiras foram a Famurs e a Fecomércio), a Federasul não quis deixar a cadeira vazia para marcar a ausência de Luciano Zucco (PL), que está em Brasília para acompanhar a votação, no Senado, do projeto de renegociação das dívidas dos agricultores.
Sem Zucco, Juliana Brizola (PDT), Gabriel Souza (MDB) e Marcelo Maranata (PSDB) tiveram mais tempo para expor suas ideias ao longo de cinco blocos e mostrar qual será a estratégia nos próximos confrontos. Todos chegaram acompanhados de políticos aliados e assessores, que ocuparam metade das cadeiras do salão nobre da Federasul.
Mesmo sendo um debate para público restrito, os três trocaram farpas e tentaram atacar os pontos fracos dos adversários. Já na manifestação inicial, Gabriel lamentou a ausência de Zucco no debate, reafirmando que "quem quer ser governador precisa ter coragem". A manifestação foi a mais aplaudida do debate, com apoio não só dos aliados, como também dos oponentes e dos empresários presentes.
Sorteado para ser o primeiro a perguntar, Gabriel escolheu Juliana em todas as oportunidades, obrigando a candidata do PDT a só dirigir questionamentos a Maranata, quarto lugar nas pesquisas de intenção de voto para o governo do Estado divulgadas até aqui.
Embate ideológico

O emedebista procurou associar Juliana ao governo Lula, deixando a candidata visivelmente incomodada. O vice-governador questionou Juliana sobre feminicídios e perguntou o que “o governo federal do Lula”, que ela representa, poderia fazer para ajudar, porque não estaria fazendo nada.
— Vim aqui para falar de propostas e não querer ficar tachando alguém de alguma coisa, como já fui tachada aqui pelos meus dois adversários — retrucou a pedetista.
Na réplica, Gabriel disse que não queria ofendê-la, que só falou porque Lula é o candidato que a adversária representa, e que não quer criar problema entre ela e o PT.
Em outro momento, quando Gabriel perguntou como ela tratará a renegociação da dívida, tendo em vista que os governos do PT só aumentam gastos públicos, Juliana reagiu:
— Tu fica só querendo dizer que eu sou do PT. O meu partido é o PDT, na qual eu sou filiada há 35 anos. Tu conhece bem a minha origem, é trabalhista. Tenho a maior honra de ter o apoio do PT. Nessa tu não vai me pegar, Gabriel. Aqui o meu governador foi Alceu Collares e Leonel Brizola. Esse sobrenome não tem como sair fora.

A Maranata, ex-prefeito de Guaíba, Juliana perguntou sobre saúde pública. O candidato do PSDB respondeu que falta o governo federal corrigir as tabelas do SUS para médicos e hospitais. Na réplica, a candidata do PDT provocou os adversários:
— Olha, eu fico vendo assim aqui uma guerra ainda, né? É o federal que não faz, o Estado não fez. Gente, vamos parar de olhar para trás e vamos olhar para frente. Eu quero sentar contigo, Maranata, quando eu for governadora. Contigo, Gabriel, quando eu for governadora. Sem nenhum preconceito ideológico, esse Estado tem que parar com isso. Por que o público tem que ser inimigo do privado?
Críticas sobre a enchente
Cobrado por Maranata sobre o atraso nas obras de prevenção às cheias, Gabriel deu um “pito” no ex-prefeito de Guaíba:
— Me admira um prefeito de uma cidade importante, que é Guaíba, vir aqui dizer isso para as pessoas. Quer dizer, a enchente foi em 2024. Os anteprojetos que existiam eram de 1941. Teve uma necessidade de atualizar os anteprojetos, dos poucos que existiam. Não faz por dispensa de licitação, como muitos queriam. Dispensa de licitação em projetos bilionários. Então, usar da dor das pessoas para fazer proselitismo político, alto lá — rebateu, sob aplausos dos aliados.

Maranata disse que queria ver a claque ir bater palmas em Eldorado do Sul, e que teria feito a atualização dos projetos com dispensa de licitação pela celeridade.
— Além das pessoas que bateram palmas para mim, a prefeita de Eldorado está nos apoiando — respondeu Gabriel, que em seguida passou a falar do Propag (programa de renegociação das dívidas estaduais), na tentativa de expor o desconhecimento dos adversários, mas acabou caindo na monotonia.
Nas considerações finais, Maranata criticou a ausência de Zucco, que já havia sido lembrada por Gabriel em duas oportunidades:
— Temos um candidato fujão, que não veio hoje, não está indo a debate nenhum, até vou deixar a cadeira dele aqui — ironizou.
Gabriel gastou metade das considerações finais para responder a Juliana, que se apresentou como a única com capacidade para dialogar com a esquerda e a direita.

Reação dos empresários
Como já havia sido no painel individual, a participação de Juliana, com discurso agregador e de diálogo, surpreendeu os empresários que acompanharam o debate. Acenos favoráveis às concessões e a negociação com o setor foram considerados pontos positivos.
As respostas mais técnicas e repletas de dados explanadas por Gabriel cumpriram com as expectativas dos empresários, que já esperavam este posicionamento do vice-governador. Maranata também teve desempenho considerado positivo, mas o público da Federasul considerou que o tucano pesou a mão nas críticas ao governo estadual.






