
Se o El Niño vier forte como preveem os meteorologistas, o Rio Grande do Sul não será pego de surpresa como foi na enchente de 2024. Nesta quarta-feira (17), o governador Eduardo Leite lança no Palácio Piratini o "Prepara RS – El Niño", programa de enfrentamento aos potenciais efeitos do fenômeno climático causado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico. Com base nos dados disponíveis até aqui, as agências meteorológicas estimam que a primavera e o início do verão serão particularmente afetados pelo El Niño.
O Programa Estadual de Preparação para Eventos Extremos – Prepara RS (Prepara-RS) será apresentado pelo governador Eduardo Leite durante encontro com gestores de 73 municípios da Região Metropolitana. Desde 2024, sob o guarda-chuva do Plano Rio Grande, o governo vinha adotando medidas para reforçar as estruturas de prevenção, e principalmente, preparar a Defesa Civil estadual e suas congêneres. Hoje, todos os 497 municípios do Rio Grande do Sul têm seu plano de contingência para enfrentar as adversidades climáticas.
A assinatura do decreto que regulamenta o programa e suas ações ocorrerá durante o encontro, o primeiro de uma série de reuniões regionalizadas. Durante o encontro, serão entregues os documentos de análise preliminar de suscetibilidades aos 25 municípios considerados prioritários da região – aqueles com maior risco de alagamento ou deslizamento. O material reúne informações meteorológicas, hidrológicas, geológicas, sociais e históricas de cada município, apontando pontos críticos.
Com base na experiência de 2024, em que os voluntários tiveram papel essencial no socorro e na ajuda à população afetada pela enchente, a Defesa Civil organizou uma plataforma que será apresentada no encontro com os prefeitos. A Plataforma de Voluntários vai permitir que as pessoas interessadas em ajudar se cadastrem e, diante de uma catástrofe, seja possível organizar melhor a gestão de suprimentos e pessoas, para que não falte em algum ponto enquanto sobram recursos em outro.
Nesta terça-feira (16), em visita a Lajeado, Leite assinou outro decreto ligado à recuperação dos municípios afetados pelas enchentes – no plural, como é o caso do Vale do Taquari. É o decreto que cria o Plano de Requalificação Urbanística do Vale do Taquari, para garantir mais segurança às famílias e impedir a ocupação de áreas de altíssimo risco, como o Passo de Estrela, em Cruzeiro do Sul, e outras às margens do Rio. Serão investidos R$ 192 milhões na primeira fase do programa, com recursos do Plano Rio Grande.
O plano contempla nove municípios situados às margens do Taquari e prevê compensação financeira para viabilizar a desocupação de imóveis localizados nas chamadas “zonas de arraste”, aquelas em que água leva tudo o que encontra pela frente. Em síntese, o governo vai pagar para os municípios transformarem essas áreas em parques alagáveis, sem moradias definitivas ou provisórias. O programa é resultado de uma parceria com o Ministério Público Estadual e as prefeituras.
“Estamos transformando em política pública uma das lições mais duras deixadas pelas enchentes e não podemos permitir que as pessoas voltem a viver em locais onde o risco é permanente. Com planejamento, responsabilidade e cooperação entre as instituições estamos construindo um Rio Grande do Sul mais resiliente e preparado para o futuro”, escreveu Leite em seu perfil no X.
Confira quanto cada município deverá receber na primeira fase do projeto:
- Estrela — R$ 56,7 milhões
- Encantado — R$ 39,4 milhões
- Arroio do Meio — R$ 31,1 milhões
- Cruzeiro do Sul — R$ 25,1 milhões
- Venâncio Aires — R$ 18,6 milhões
- Lajeado — R$ 8,9 milhões
- Roca Sales — R$ 7,95 milhões
- Muçum — R$ 2,98 milhões
- Colinas — R$ 1,1 milhão


