
Nada muda no Brasil com a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas, que passou a vigorar nesta sexta-feira (5). Essa é a interpretação de especialistas em segurança pública, professores de relações internacionais e do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Infelizmente, as comunidades que hoje são reféns dessas e de outras facções não terão o sossego prometido pelos que interpretam a medida do presidente Donald Trump como uma tábua de salvação. Como disse no Gaúcha Atualidade o professor Fabrício Pontin, do Unilassalle, trata-se muito mais de uma questão política do que de segurança pública.
Qualquer pessoa que não tenha envolvimento com o crime gostaria de ver as facções criminosas e as milícias que escravizam moradores de regiões mais pobres varridas do mapa. Só que a mudança de status para organizações terroristas não resolve o que interessa e ainda pode prejudicar a troca de informações entre a Polícia Federal do Brasil e as autoridades norte-americanas.
O combate às facções criminosas depende muito mais das polícias estaduais, que precisam de investimento, inteligência, e, principalmente, de uma limpeza em seus quadros, para afastar aqueles que ganham do Estado para combater o crime e trabalham para o PCC e o Comando Vermelho. Sem uma depuração nas polícias de São Paulo e do Rio de Janeiro essas organizações seguirão espalhando seus tentáculos para muito além do tráfico de drogas e de armas.
A Polícia Federal precisa de investimentos e de cooperação internacional para chegar aos cabeças das organizações criminosas e adotar a asfixia financeira, única forma de reduzir o poder dos bandidos.
Por fim, há um ponto mais importante no combate ao crime do que a classificação como organizações terroristas. É o eleitor eliminar, pelo voto, políticos que têm relações com o crime. Não apenas com o PCC e o Comando Vermelho, que são os mais conhecidos, mas com todas as organizações que se alimentam da violência no cotidiano.


