Antes do jogo do Brasil contra a Escócia, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro soltou uma bomba em forma de vídeo, disputando espaço nas redes sociais com Neymar, Vini Júnior e Ancellotti. Com voz firme, leu um roteiro escrito cuidadosamente para causar impacto dentro e fora do PL. E mostrou que as divergências com Flávio e Eduardo são mais profundas do que parecem aos olhos de quem está de fora.
O caso do Ceará, que ela gastou boa parte do vídeo detalhando, é um pretexto para abrir o coração e dizer o que calou nos últimos meses. Michelle fez questão de repetir as palavras que Ciro Gomes usou para desqualificar Jair Bolsonaro e os filhos. Como se pudessem restar dúvidas, incluiu o vídeo com as palavras do candidato que agora o PL quer apoiar no governo do Ceará e que deu origem à campanha dos filhos de Bolsonaro contra ela.
Sem usar essa expressão, Michelle deixou claro que, assim como existia o “gabinete do ódio”, existe uma cozinha do ódio, na qual os enteados preparam poções contra ela, a ponto de em algumas manifestações retirarem dela o sobrenome Bolsonaro. Uma conspiração permanente, comandada dos Estados Unidos por Eduardo e que Flávio avaliza por ação ou omissão.
Reclama que ao difamá-la os irmãos, filhos de casamentos anteriores, estão causando sofrimento à caçula, Laura, mas não se importam porque só pensam em política e não no ser humano. As palavras usadas foram fortes para causar o impacto que causaram. Diz que foi apunhalada pelos enteados. Que perdoou Flávio e abençoou sua candidatura, mas não está fazendo campanha porque ele e o irmão tentaram afastá-la das decisões no PL, alegando que não entendia nada de política.
Sempre se referindo a Jair Bolsonaro como “meu marido” ou “meu galego”, disse que sua prioridade é cuidar da família. E que é mentira – coisa plantada – a informação de que ela estaria esperando um pedido público de desculpas para entrar na campanha. Mais: que sabe quem plantou, porque conhece as fontes e os métodos.
O vídeo mostra que Michelle é, entre todos os membros do clã, a que melhor sabe ler e interpretar um texto. Não fala na candidatura ao Senado, apenas exalta suas conquistas como presidente do PL Mulher. E usa o poder da internet para mostrar que é coerente ao não querer uma aliança no primeiro turno com quem chamou Bolsonaro de bandido e os filhos de nazistoides.




