
O jornalista Henrique Ternus colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
O impasse que bloqueia o avanço do investimento bilionário da CMPC em Barra do Ribeiro mobilizou deputados na manhã desta segunda-feira (15), que realizaram uma manifestação em defesa do Projeto Natureza, em frente ao Palácio Piratini. Organizado por Marcus Vinícius (PP), que preside a frente parlamentar da Metade Sul, o ato reuniu parlamentares de partidos variados e motivou até mesmo o governador Eduardo Leite a subir no carro de som para defender a instalação da nova fábrica.
A um público repleto de lideranças locais, entre representantes de associações de municípios, entidades empresariais, prefeitos e vereadores, Leite defendeu o projeto, enfatizando que o governo do Estado trabalha desde o início para garantir as condições necessárias para que o projeto fosse viabilizado.
— Tenho confiança absoluta de que o processo que se está seguindo atende a legislação, atende as normas, respeita a dignidade dos povos originárias, dos povos indígenas, e viabiliza o investimento para o nosso Estado. O procurador da República tem legitimidade para entrar com a ação, a gente não pode questionar o direito de ele entrar, mas a gente discorda, contesta, lamenta e a gente trabalha — disse Leite, acompanhado do vice-governador Gabriel Souza (MDB) e deputados da base aliada, como Beto Fantinel (MDB), Ernani Polo (PSD) e Frederico Antunes (PSD).
Ao lado de Felipe Camozzato (Novo) e dos deputados federais Marcel van Hattem (Novo) e Afonso Hamm (PP), Marcus Vinícius criticou a "interferência ideológica" no processo de licenciamento ambiental do projeto, que criou entrave para o andamento do investimento. Uma recomendação do Ministério Público Federal pediu o adiamento do licenciamento sob o argumento de que o estudo feito pela CMPC não contempla impactos negativos ao meio ambiente e comunidades indígenas da região e que precisa ser reformulado em parte.
— Pelo capricho, pelo ranço ideológico, pela militância, exigiu-se a suspensão de um licenciamento correto e de direito. Isso é inaceitável. Este não é um ato de repúdio ao Ministério Público Federal. Não é um ato de ataque a uma instituição. Muito pelo contrário: é um ato em defesa do futuro da Costa Doce e da Metade Sul do Estado, que historicamente ficou para trás na chegada e na recepção de investimentos — defendeu o deputado.

