
O jornalista Henrique Ternus colabora com a colunista Rosane de Oliveira, titular deste espaço.
Último a participar do Tá Na Mesa da Federasul com os pré-candidatos a governador do RS, Gabriel Souza (MDB) disse que fará um governo de "evolução" caso eleito. O vice-governador exibiu realizações da atual gestão para se apresentar como a única alternativa viável para manter os indicadores econômicos do Estado em níveis positivos.
A apresentação começou por Gabriel fazendo uma apresentação pessoal, lembrando da família e da trajetória desde a juventude no partido em Tramandaí, passando pelos mandatos como deputado estadual. Na sequência, comparou o Rio Grande do Sul que encontrou com o que construiu, unindo na mesma construção o governo de José Ivo Sartori, que começou em 2015, e as duas gestões de Eduardo Leite.
Gabriel não deixou passar oportunidades para cutucar os adversários. Ao falar de como a gestão estadual recebeu as contas do Estado, citou a “herança do PT”, a quem também atribuiu os 57 meses de salários parcelados, medida adotada durante o governo Sartori, do MDB.
— Tivemos aqui o governo Tarso, que aumentou a despesa muito acima da arrecadação. Fez com que tivéssemos uma série de dificuldades fiscais, aliado a uma crise econômica e política do governo Dilma. Começamos uma agenda de transformações e reformas, apresentada no governo Sartori, com avanço durante o governo anterior do Eduardo. Avançamos em diversas áreas, mas temos que avançar ainda mais — disse.
O painel seguiu com um resumo de Gabriel sobre os investimentos do atual governo em infraestrutura, educação e segurança pública e também sobre a competitividade econômica do Estado. Depois, apresentou propostas para um eventual governo nas contas públicas, saúde, liberdade econômica e resiliência climática — a maior parte como uma extensão ou sequência do que está em andamento pelo governo Leite.
— Recuperamos a capacidade de investir, voltamos a crescer e reconstruímos a confiança do Estado. Agora, o maior desafio é que não podemos retroceder. Voltar ao modelo que quebrou o Estado, que não cuidava da gestão e prometia o que não podia entregar. Estamos na eleição para discutir o Rio Grande do Sul e o problema real da vida das pessoas. Não somos emissários nem estamos emulando uma eleição presidencial.
Também anunciou que Ernani Polo (PSD), o candidato a vice que o acompanhou no evento, atuará numa eventual gestão como um interlocutor do governo com o setor produtivo. Germano Rigotto (MDB), postulante ao Senado, também esteve presente na Federasul.
Sobrou para Zucco
Além das críticas ao governo petista, que comandou o Estado entre 2011 e 2014, Gabriel não poupou Luciano Zucco (PL). Logo de cara, citou a ausência de Zucco no debate da própria Federasul, marcado para a semana que vem, aproveitando a má repercussão da decisão entre o empresariado. Repetiu quatro vezes que os empresários e os eleitores poderão conhecer as ideias e propostas "de três dos quatro candidatos".
Gabriel repercutiu também fala de Zucco durante o mesmo Tá Na Mesa Pré-Eleições, quando, na sua vez, disse que "gestão se contrata, liderança não".
— Alguém esteve aqui e disse que "gestão se contrata". Não existe isso. Você tem que contratar a melhor equipe de profissionais para o secretariado, mas isso não resolve por si só. E nos momentos que dois secretários discordam, quem é que decide? Governador precisa estar preparado e qualificado para sentar naquela cadeira.
Também ficou evidente que ainda há mágoa da chapa governista com o PP, que no início do ano saiu da base do governo estadual para se aliar a Zucco. Já no final da apresentação, Gabriel leu em um dos slides que "coligação não se faz à força, se faz com coerência". A crítica também era direcionada à chapa de Juliana Brizola (PDT) com Edegar Pretto (PT), que abriu mão da cabeça de chapa após decisão da executiva nacional petista.
Aposta em crescimento
Com a avaliação de que ainda é uma fase inicial do período eleitoral, Gabriel disse acreditar no potencial de crescimento do seu nome nas pesquisas ancorado na rejeição dos adversários. O entendimento é de que o eleitor compreenderá que o vice-governador será o único a ter chance de derrotar os polos ideológicos em segundo turno, e assim ganhará o chamado voto útil.
— Não dá para dizer agora, dos três que lideram pesquisas, quem vai chegar ao segundo turno. Mas 67% dizem que mudariam de voto e 77% dizem não me conhecer. É uma eleição muito aberta ainda, a campanha está muito distante. O candidato que tem mais chance de vencer os adversários à direita e à esquerda é o Gabriel Souza, pelos posicionamentos e pelo que representa — avaliou, durante coletiva de imprensa.






