
A cada nova fase da Operação Compliance Zero ou revelação dos conteúdos dos celulares do dono do Banco Master vai se confirmando a máxima de que Daniel Vorcaro comprou todos os que estavam à venda no Executivo, no Legislativo e no Judiciário. São tantos os envolvidos no escândalo que ninguém pode apontar o dedo para o lado dizendo que o Master é de A, B ou C. O escândalo ameaça a carreira de figurões dos principais partidos do Brasil.
A bola da vez é o senador Jaques Wagner, do PT da Bahia, em um sinal de que a Polícia Federal está fazendo o seu trabalho sem distinção partidária. Que o PT da Bahia estava envolvido, já se sabia, mas a operação desta quinta-feira (18) mira diretamente no senador que é um dos líderes mais próximos do presidente Lula.
Foi na condição de governador que Wagner fez negócios com Daniel Vorcaro. O que a investigação vai dizer é quais foram exatamente os benefícios recebidos pelo senador. Uma das informações da representação da Polícia Federal é de que Wagner teria recebido de Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, um apartamento de R$ 2 milhões em Salvador.
A quebra de sigilo mostrou que a BN Financeira, empresa de Bonnie Bonilha, nora de Wagner, recebeu R$ 12 milhões do Master entre 2022 e 2025. Esses documentos foram encaminhados à CPI do Crime Organizado. Parte desse dinheiro teria sido uma espécie de prêmio a Wagner por uma emenda de interesse do banqueiro a uma medida provisória sobre crédito consignados em tramitação no Senado.
No Senado, a aluvião do Master ameaça soterrar ninguém menos que o presidente Davi Alcolumbre (União Brasil), um dos líderes do Centrão. Reportagem da revista Veja, baseada em informações da defesa de Vorcaro, revelou que Alcolumbre teria de recebido US$ 30 milhões do dono do Master em uma conta no Exterior.
Dólares mesmo, e não reais.
Alcolumbre nega com veemência ter recebido dinheiro de Vorcaro, e diz que está sendo vítima de uma intriga. O problema é que o fundo de pensão dos servidores do Amapá, gerido por afilhados do senador, enterrou dinheiro no Master, uma operação que só as relações políticas explicam.
O mais enrolado no Senado é, até aqui, o Ciro Nogueira, presidente nacional do PP. São tantos os mimos, devidamente comprovados, que o senador não tem como negar. Na impossibilidade de dizer "não fui eu", resta-lhe dizer que tudo foi feito por amizade. Só que não. Ciro é o caso mais claro de troca-troca. Ele retribuiu as férias de luxo no Caribe e nos Alpes franceses com a apresentação de projetos de interesse de Vorcaro, redigidos por funcionários do Master.
Como se viu ao longo da investigação, Vorcaro é um homem cercado de "irmãos" por todos os lados, que transformava fantasias em realidade — hotéis e restaurantes de luxo, festas com prostitutas, degustações de uísque e charuto, viagens em jatos privados para evitar o incômodo dos aviões de carreira.
Wagner é líder do governo no Senado.Outro figurão que se locupletou com os mimos de Vorcaro foi o presidente da Câmara, Hugo Motta, um obscuro deputado do Paraíba até ser guindado por articulações políticas ao posto que ocupa hoje. Foi pelas mãos de Ciro Nogueira que Motta viajou a Portugal no jatinho de Vorcaro e ficou hospedado em um dos mais luxuosos hotéis de Lisboa por conta do dono do Banco Master. O deputado tinha esquecido essa viagem (ora, pois), mas acabou lembrando e jura que não tem nada demais.



