
Nas seis eleições para governador desde o início do século 21, foram somente duas as vezes em que o candidato que liderava as pesquisas três meses antes da eleição acabou eleito para o cargo no Rio Grande do Sul. Apenas Tarso Genro, em 2010, e Eduardo Leite, quando foi reeleito em 2022, pontuavam melhor que os adversários nos levantamentos divulgados na metade do ano eleitoral.
De 2002 para cá, os ex-governadores Germano Rigotto, Yeda Crusius e José Ivo Sartori, além de Eduardo Leite na primeira vez que disputou, não figuravam entre as expectativas de segundo turno das eleições no Estado. Nas pesquisas divulgadas entre junho e agosto de cada ano, nenhum dos quatro pontuava mais do que 15%.
Uma das viradas mais lembradas é a de Rigotto (MDB), que tinha 4,5% das intenções de voto em pesquisa divulgada em agosto de 2002 pelo Cepa/UFRGS, enquanto observava a corrida entre Tarso (PT) e o governador Antônio Britto (PPS). No mesmo levantamento, o petista acumulava 32,3% e Britto liderava, com 40,6%. Um mês depois, Rigotto subiu para 11,1%, Tarso tomou a frente com 34,8% das intenções e Britto caiu para 29,9%.
Ao fim do primeiro turno, Rigotto fez 41,17% dos votos válidos e foi o mais votado. Tarso deixou Britto para trás e foi para o segundo turno, com 37,25% dos votos, mas não conseguiu superar o emedebista. Germano Rigotto foi eleito com 52,67% dos votos.
Em 2006, a disputa pelo Piratini entregou mais uma surpresa aos gaúchos. Em junho, o então governador Rigotto liderava as pesquisas com 28% das intenções de voto, segundo o Ibope, e o principal adversário era Olívio Dutra (PT), que tentava retornar ao cargo de governador depois dos quatro anos de governo do MDB. Yeda (PSDB) corria por fora, crescendo timidamente nos levantamentos em que acumulava 15%.
Assim como Rigotto no pleito anterior, Yeda superou os adversários e terminou o primeiro turno na frente, com 32,9% dos votos. Na segunda etapa contra Olívio, foi eleita com apoio de 53,94% dos gaúchos.
Década de 2010
Depois de quatro anos do governo tucano, Yeda chegou a 2010 na terceira colocação das pesquisas. Em agosto, a primeira mulher a governar o Rio Grande do Sul tinha 11% das intenções de voto no levantamento do Ibope, contra 37% de Tarso Genro e 31% do prefeito de Porto Alegre, José Fogaça (MDB). Em outubro, o cenário acabou se alterando em favor do PT: Tarso foi eleito em primeiro turno, com 54,35% dos votos. Fogaça ficou em segundo, com 24,74%, e Yeda, 18,4%.
Se Tarso foi impulsionado em 2010 pelas duas gestões de Lula na Presidência, a crise fiscal que afetou não só o Estado como o governo de Dilma Rousseff (PT) em Brasília derrubou o petista em 2014. Em julho, o então governador estava em segundo lugar, 31%, atrás de Ana Amélia Lemos (PP), que tinha 37% das intenções de voto da pesquisa Ibope. José Ivo Sartori (MDB), ex-prefeito de Caxias do Sul por dois mandatos seguidos, observava de longe, com apenas 4%.
Sartori cativou o eleitorado com o início da propaganda eleitoral e terminou o primeiro turno à frente, com 40,4% dos votos válidos. No segundo turno contra Tarso recebeu apoio de 61,21% dos eleitores.
Mesmo sem conseguir resolver a crise fiscal do Estado com os "remédios amargos" que implementou, e com um governo marcado pelo parcelamento de salários do funcionalismo, Sartori chegou a junho de 2018 na liderança sem um adversário claro. Em pesquisa divulgada em agosto, o governador acumulava 19% das intenções de voto, conforme o Ibope, ao mesmo tempo em que era rejeitado pela maioria (44% dos entrevistados declararam que não votariam nele de jeito nenhum).
Empatados tecnicamente, os adversários eram Eduardo Leite (então no PSDB) e Miguel Rossetto (PT), com 8%, e Jairo Jorge (PDT), 6%. Leite conseguiu superar os adversários e acabou o primeiro turno com 35,9% dos votos, contra 31,11% de Sartori. No segundo turno, o ex-prefeito de Pelotas acumulou 53,62% dos votos e superou o então governador.
Por pouco
Em 2022, depois do mandato marcado pelo enfrentamento à pandemia e reformas nas carreiras e nas aposentadorias, Leite chegou favorito para a reeleição. O governador — que havia renunciado para tentar disputar a Presidência — aparecia com 32% das intenções em agosto, ante 19% de Onyx Lorenzoni (PL), que concorria ancorado na ligação com Jair Bolsonaro, de quem fora ministro. Os dados são do Ipec.
Edegar Pretto (PT) corria por fora, com 7% das intenções de voto, mas quase repetiu o filme visto nos anos anteriores. Por 2,5 mil votos, Leite superou Edegar no primeiro turno e avançou para a disputa final contra Onyx Lorenzoni, que fez 37,5% dos votos. No segundo embate, o ainda tucano conquistou 57,12% dos votos e venceu o candidato do PL, que fez 42,88%.



