
Perto do que já foi no passado, quando obrigava os motoristas a viajarem dezenas de quilômetros atrás de uma fila de caminhões, a BR-116 melhorou visivelmente no trecho entre Eldorado do Sul e Pelotas. O problema é que a duplicação iniciada em 2012, no governo de Dilma Rousseff, não será concluída até o final deste ano.
Significa dizer que para duplicar 211,2 quilômetros serão, no mínimo, quatro governos (Dilma/Temer, Bolsonaro, Lula 3 e o que for eleito em outubro — isso se o próximo concluir os 15% que ainda faltam).
O ponto mais crítico fica em Guaíba, logo depois da entrada da cidade, onde além de remanescer um trecho de pista simples o asfalto está em péssimas condições, pelo excesso de peso dos caminhões, somado à falta de manutenção. O asfalto irregular e o acostamento malcuidado tornam a rodovia perigosa nos trechos ainda não duplicados, boa parte dos quais sem nenhum sinal de obra.
Na altura de Camaquã, onde dois viadutos estão em construção, os motoristas também precisam enfrentar desvios que contrastam com a qualidade dos trechos duplicados. Há outros pontos de estrangulamento, mas o que importa para o debate que esta coluna propõe é a demora para duplicar uma estrada em terreno plano, sem as dificuldades de uma obra em áreas de serra. A BR-116 é praticamente uma reta de Eldorado do Sul a Pelotas. Não há explicação plausível para tanta demora.
É fato que nesses anos todos houve problema de liberação de recursos, dificuldades de construtoras e incerteza em relação ao que fazer com a rodovia. Chegou-se a discutir a prorrogação do contrato de concessão com a Ecosul, para assumir parte das obras, mas as negociações não vingaram. Recorde-se que, apesar de cobrar um dos pedágios mais caros do mundo, a concessionária não tinha obrigação de realizar obras estruturais.
Extinta a concessão, ficou para ao Dnit a responsabilidade pela conservação, o que poderá significar problemas no futuro, quando o trecho entre Cristal e Pelotas precisar de manutenção, dado o histórico de outras rodovias federais que estão em petição de miséria, como a BR-158, entre Santa Maria e Cruz Alta, a BR-290 e a BR-285.




